Siga-me no Facebook Siga-me no Instagram Siga-me no Twitter Siga-me no YouTube
A Biblioteca da João | Site oficial de Nuno Nepomuceno.

A Biblioteca da João

A Célula Adormecida, por Maria João Diogo.

Opinião à Célula Adormecida retirada do blogue A Biblioteca da João.

«Tenho quase a certeza que se tivesse lido este livro sem saber o seu autor, iria descobrir quem era. Isto, porque, apesar de ser um jovem escritor, Nuno Nepomuceno coloca um cunho muito pessoal nos seus livros. Primeiro, a forma como descreve os seus personagens, como os rodeia de mistério antes de nos a dar a conhecê-los. Depois toda a preparação que revela sobre os temas que aborda e locais onde se passa a ação. Nuno não escreve nada em vão, nem sem estar devidamente documentado, o que torna as suas histórias ricas e documentadas.

No entanto, e neste livro especificamente, julgo que foi precisamente este último ponto que teve um efeito menos positivo na minha leitura. Senti, em algumas partes, excesso de detalhe nas explicações. Entendo que o autor pretendeu dar ao leitor todas as informações para que este possa julgar os atos e a realidade que vivemos atualmente, mas sendo este livro um romance e não um livro de não ficção, senti alguma informação em excesso.
No dia das eleições legislativas, o vencedor é assassinado na sede do partido para estupefação de todos os presentes. Ao mesmo tempo, junto ao Marquês de Pombal, um homem faz-se explodir num autocarro, provocando a morte de várias pessoas e o caos generalizado. Junto à estátua no cimo do Parque Eduardo VII, a bandeira portuguesa é trocada pela do Daesh. Três acontecimentos que, aparentemente, não têm qualquer relação, irão revelar muito mais do que alguma vez foi esperado.

Afonso Catalão é um professor universitário com um passado que muito poucos desconhecem e que se vê envolvido nestes acontecimentos. Por um lado, Ibrahim, o homem que executou o atentado, era seu aluno na universidade. Por outro, os seus vastos conhecimentos sobre política e o Médio Oriente colocam-no no centro das atenções ao dar uma entrevista para um jornal nacional conduzida por Diana Santos Silva, que tem acima de tudo a ambição de progredir na carreira. Mas também para ela, estes acontecimentos irão mudar a sua vida. Acompanhamos ainda do trágico percurso de Sami e dos filhos, uma família de refugiados que tentam adaptar-se a uma nova realidade.

Uma narrativa bem construída, com um tema que não podia ser mais atual e com muitos personagens bem caracterizados. Este livro permite-nos sobre algo a que assistimos diariamente, mas que, talvez por isso mesmo, já se ouve sem refletir nele.

Por último, gostaria de mencionar o prazer que é ler um livro onde parte da ação se passa numa cidade que conheço. É delicioso ler e visualizar a ação a decorrer em locais que nos são tão familiares.

Nuno Nepomuceno volta mais uma vez a surpreender-me e a colocar a literatura nacional ao mesmo nível de tantos autores estrangeiros e mundialmente aclamados.»


Maria João Diogo
http://abibliotecadajoao.blogspot.pt


PS — Contrariamente ao que anunciei a semana passada, o canal Q refez o alinhamento do programa É a vida, Alvim, e a entrevista que concedi a Fernando Alvim foi transmitida no passado sábado, dia 12, às 00:30. Aproveito a oportunidade para informar que será repetida terça-feira, dia 15, às 10:05, 16:50 e 20:20. Tentem ver. Não correu nada mal. Happy


Comments