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Menina dos Policiais | Site oficial de Nuno Nepomuceno.

Menina dos Policiais

A Célula Adormecida, por Vera Brandão.

Opinião à Célula Adormecida retirada do blogue Menina dos Policiais.

«A Célula Adormecida é uma obra muito diferente da trilogia Freelancer. Atrevo-me a dizer que esta obra supera a série. Pelo menos, tocou-me muito em diversos aspetos. Em primeira análise, a dissecação do Islamismo, que me é conhecido por ter alguma família que segue a religião muçulmana e compreender mais de perto a importância do Ramadão. O Nuno fá-lo com um trato nada maçador, pelo que esta componente de caráter mais informativo interliga-se na ação com harmonia e o leitor aprende alguns conceitos sem que haja interferência de juízos. Falo da religião, mas outros aspetos são abordados, sempre de forma objetiva, como o drama dos refugiados, ou o panorama político na Síria, que tem desencadeado alguns confrontos e, por último, o tema predominante, o terrorismo de índole religiosa muitas vezes associado a um choque de culturas, dando azo a xenofobia.

É, portanto, um livro com uma temática muito atual se tivermos em conta alguns acontecimentos relativos aos recentes atentados na Europa reivindicados pelo autoproclamado Estado Islâmico. É precisamente com um ato terrorista num autocarro no Marquês de Pombal que a trama se inicia. Não obstante este acontecimento trágico, há uma outra ação que marca o início da história: a morte de um político (o qual, curiosamente, denominei como meu primo por termos em comum o apelido). Estas duas subnarrativas ligadas a um terceiro acontecimento passado na Turquia contribuem para que a trama se desenrole de uma forma assaz interessante. Os capítulos, curtos, são propícios a uma leitura rápida e surpreendente. Estava sempre expectante com as subnarrativas, não obstante afirmar que a mais impressionante, a meu ver, foi a história de Sami e da sua família.

Comparando a trilogia com a
A Célula Adormecida, constatei que a caracterização do protagonista é diferente. Apesar da ação não se focar unicamente numa personagem, creio que Afonso Catalão apresenta, numa fase inicial, um caráter algo ambíguo, pelo que a relação que criei com este foi muito diferente do que a existente com o espião André Marques-Smith, o protagonista da trilogia Freelancer, que desencadeia uma empatia mais imediata.

Quanto às demais personagens, são extremamente verosímeis e agrada-me que estejam munidas de características comuns e reais. Mais uma vez menciono que as personagens que mais me impressionaram foram os muçulmanos que vivem em Portugal (estou a ser, talvez, algo repetitiva, mas fiquei devastada com o rumo dos acontecimentos referentes a esta família).

Outro pormenor que gostei muito, sendo eu alfacinha de gema, foi deambular juntamente com as personagens pelos inúmeros locais de Lisboa. Consegui visualizar os arruamentos e percorrê-los com as personagens da obra, conferindo uma sensação de familiaridade.

Pelas temáticas apresentadas, pelo ritmo da ação e grandes emoções inerentes ao núcleo muçulmano residente em Portugal e até pela personagem Diana Santos Silva (cujas dinâmicas foram, para mim, as mais interessantes) e um cheirinho a Lisboa, confesso que este foi um dos melhores livros deste ano. Fiquei absolutamente rendida! E Nuno, venham daí mais!»

Vera Brandão
verosvky-meninadospoliciais.blogspot.pt


PS — A propósito da minha entrevista no canal Q ao programa
É a vida, Alvim, aproveito para informar que passará dia 16 de novembro, às 00:05, com várias repetições ao longo do dia 17. Tentem ver!
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