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Vanessa Santos | Site oficial de Nuno Nepomuceno.

A Célula Adormecida, por Vanessa Santos.

Opinião a A Célula Adormecida, por Vanessa Santos, Livros de Vidro.


«Devemos salientar o estudo do autor.
Epá Nuno, - permitam-nos a expressão - que estudo. Nota-se claramente um bom suporte, uma limpeza na matéria, um filtro, uma explicação, uma exposição sem, no entanto, ser em demasia, sem ser maçador. Devemos até dizer que nos permitiu conhecer mais sobre o assunto, afastando-nos do empolamento das redes sociais, dos media, da opinião pública, à semelhança dos anteriores livros. Mais uma vez o autor traz um trabalho bem conseguido em termos de estudo e estrutura. O que muito nos deixa felizes por ver autores portugueses com tamanha qualidade.
 
Já sabem que não falamos da história em si, não é para isso que aqui estamos. Mas apenas vos fazemos chegar a nossa perspetiva quanto ao que lemos. E, bem, para quem acha que está diante de mais um romance, de mais do mesmo, de "finais felizes", esqueçam!
 
Nuno traz a verdade dos atentados terroristas, habilmente nos transporta para o mundo muçulmano, para as suas crenças e mais uma vez temos um livro com Acão. Uma e outra vez demos por nós a pensar "não pode ser, outra vez"? Pois é, não sabem o que vos espera ao ler este livro. Não esperem bombas a rebentar por todos os lados, porque não, não se trata "só" disso, há toda uma dimensão que o autor vai buscar que torna o livro mais rico. Viajamos muito além das bombas e conspirações.
 
Em certa medida poderá ser chocante, não que descreva cenas horríveis, mas porque descreve cenas que são reais e que não podemos virar a página e pensar "só nos livros". Porque não, acontece. Incomoda, mas acontece.
 
Não se trata apenas de um livro de ficção, romance, policial, enfim, o que lhe queiram chamar. Trata-se de um "abre olhos". Um safanão que nos dá.
 
Mas, também temos de analisar a parte "restante" toda a trama, além do tema em si.
 
Pois bem, há algo que já na altura da trilogia nos fez confusão, mas não mencionámos porque podia ser mania nossa, mas desta vez temos de dizer, os nomes das personagens são muito, demasiado, pomposos. Até custa a crer que alguém os use assim constantemente. Não simpatizámos com os nomes dos personagens, os portugueses. Bastava, ao longo do texto, pelo menos para as principais, ir usando o primeiro nome, tornava tudo mais pessoal com o leitor. Fica o nosso apontamento.
 

Depois temos o personagem principal, Afonso Catalão, bem, não criámos empatia com ele. Talvez por ter uma carga negativa sobre ele, por parecer sempre cabisbaixo, sim é assim que o vemos, magro, ligeiramente curvado, com olheiras, expressão fechada. Embora ao longo da trama se perceba tudo o que o envolve pensamos que faltava ali qualquer coisa que nos fizesse ligar ao personagem. Faltou o elemento empático, mas até podia ser essa a intenção do autor.
 
Mas não pensem que isso vos faz largar o livro. Porque não. Há demasiadas coisas a acontecer que, no fim, se ligam com uma perfeição que parece impossível.»
 
 
Classificação:
 
- Escrita: 10
- História: 9,7
- Revisão do texto: 9,8
- Complexidade: 9
- Trabalho gráfico: 7
 
Total: 9,1
 
0 - Péssimo
1 a 3- Muito Mau
4 a 5- Mau
6 a 7- Satisfatório
8- Bom
9 - Muito Bom
10 - Excelente!


A Célula Adormecida
Vanessa Santos
livrosdevidro.wixsite.com

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