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Rosana Maia | Site oficial de Nuno Nepomuceno.

A Célula Adormecida, por Rosana Maia.

Opinião retirada do blogue Bloguinhas Paradise, por Rosana Maia.


«Tudo começa quando Ibrahim – muçulmano – provoca uma explosão num atentado em Lisboa. Simultaneamente, também o futuro primeiro-ministro é encontrado morto. E é a partir destes acontecimentos que o autor nos dá a conhecer o que é ser muçulmano, o que é o autoproclamado Estado Islâmico e o que é ser refugiado. Relativamente a este aspeto, considero a obra muito atual e de extrema importância para toda a gente. Se há algo que esta obra fez por mim, foi enriquecer-me culturalmente neste assunto de uma forma não maçadora. Contudo, é um tema que exige uma leitura atenta para uma melhor compreensão do mesmo. Claro está que se calhar quem já percebe bem o tema não precisa de tanta atenção como eu.

Mas perante um livro que nos é apresentado como
thriller, a verdade é que como leitor esperamos isso mesmo. No entanto, o que senti foi que não foram o mistério e a ação que assumiram o papel principal nesta história, mas sim o esclarecimento do tema de base. De certa forma, compreendo que tal tenha acontecido, porque fazia parte da ideia do autor trazer o tema ao de cima. Mas penso que se houvesse um maior equilíbrio teria sido possível focar devidamente este tema e não descurar o thriller. Ainda assim, volto a deixar a ressalva que gostei bastante da obra.

E como seria de esperar do Nuno Nepomuceno, há coisas que nunca mudam e que na minha opinião não devem mesmo mudar. É verdade que a escrita do autor evoluiu muito desde o seu início – cada vez mais contínua a fluida –, tornando a leitura mais rápida do que achamos que iria ser com tantas páginas. No entanto, mais do que a evolução na escrita, a capacidade de interligar e transmitir várias mensagens não necessariamente relacionadas é efetivamente uma qualidade a referir. Apesar de não ser uma novidade no Nuno, é mesmo das coisas que mais gosto nele.

Outra das caraterísticas de que gosto muito no Nuno é a capacidade de envolver o leitor e de o fazer sentir algo. No entanto, no que diz respeito a esta última, não me pareceu tão bem neste livro como nos anteriores. Com isto não quero dizer que o livro não me envolveu e não me fez sentir, porque fez. No entanto, personagens como Afonso e Diana (de grande destaque ao longo da narrativa) não me fizeram sofrer por elas. Já por exemplo Sami Fahran fez-me sofrer um pouco e lembrar-me desta tão bela caraterística do Nuno que penso estar apenas escondida no meio de um livro muito enriquecedor.

Acima de tudo, penso que o objetivo a que o autor se propôs era muito alo. E que em relação a isto, não defraudou as minhas expetativas, porque considero que sendo a escada a subir tão grande, o resultado é invejável. No entanto, sinto-me cada vez mais exigente com o Nuno. Após a leitura de três livros (trilogia
Freelancer) da sua autoria, é claro que fiquei a conhecer em cada um inúmeras caraterísticas dele e agora sinto que as quero todas.»

Rosana Maia
Bloguinhas Paradise

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