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Uma Biblioteca em Construção | Site oficial de Nuno Nepomuceno.

Uma Biblioteca em Construção

A Célula Adormecida, por Cláudia Sérgio, e no Alvim!

Opinião à Célula Adormecida retirada do blogue Uma Biblioteca em Construção.

«Quando A Célula Adormecida chegou às minhas mãos, senti que devia começar a ler imediatamente. Afinal, gostei bastante da trilogia Freelancer e estava muito curiosa para saber que mais teria Nuno Nepomuceno a oferecer aos leitores. Além disso, fiquei satisfeita por ver que a editora continuava a apostar neste autor português. Confesso que cheguei a ter algum receio de que a história deste livro não conseguisse superar as aventuras de André Marques-Smith, mas cedo percebi que tal medo não tinha qualquer fundamento. É que este livro não para de surpreender pela positiva.

O tema central desta obra é bastante atual. Hoje em dia, existem inúmeras notícias relativas a terrorismo, refugiados, Médio Oriente e suas guerras, mas, muitas vezes, estas realidades parecem tão distantes que quase que existe dificuldade em aceitar que tal é real. Nuno Nepomuceno pega em tudo isto e imagina o que seria se Portugal lidasse com estas questões com maior proximidade. Ao mesmo tempo, pega em algumas questões muitas vezes esquecidas, tais como a intolerância e o choque de culturas, para nos recordar que essas questões existem na nossa sociedade e que nós podemos ter os meios necessários para atenuar certas dificuldades.

Afonso Catalão é o protagonista da trama. Gostei do facto de se tratar de uma personagem que consegue cativar desde o início, mas que vai revelando diferentes facetas ao longo da narrativa. Percebemos logo que se trata de um homem íntegro, de grandes conhecimentos e com uma vontade enorme de dar a mão aos incompreendidos pela sociedade. Contudo, ao mesmo tempo, ele é uma figura misteriosa, que tem dificuldade em revelar-se e que esconde certas atividades presentes e passadas.

Mas existem outras personagens de relevo. Diana, de quem tive dificuldade em simpatizar ao início, acaba por mostrar ser mais do que aparenta, tornando-se um exemplo de força e independência feminina. Sami, um pai devoto, conseguiu ter sempre a minha compaixão, mesmo quando não conseguia aceitar a s duas decisões. Existem muitas outras figuras que mostram a capacidade do autor criar personalidades distintas e que representam papéis significativos para dar força e realisto à história. Isto mesmo quando não somos capazes de entender os seus atos ou a crueldade de que são alvo.

Nesta trama são apresentadas organizações reais e pouco exploradas ou conhecidas da maioria da população. Gostei muito de conhecer melhor esse lado. Além disso, o autor mostra que está atento à atualidade, além de revelar ser sensível à forma como pessoas de diferentes valores e pensamentos reagem aos mesmos acontecimentos. Mas mais importante é o facto de, de forma direta e fácil de compreender, serem apresentadas informações verdadeiras, atuais e muito relevantes. Deste modo, a leitura torna-se não só um bom entretenimento, apresentando uma trama que, felizmente, é fictícia, mas que teme conteúdos para melhor entendermos o mundo em que vivemos. E, quem sabe, para nos levar a melhor agir pelo bem comum.

Além de ter gostado de toda a aventura, que está bem construída e estimula a leitura, fiquei bem impressionada com a quantidade de informação relevante que existe nestas páginas. Sinto que passei a compreender melhor algumas questões e que terminei este livro com mais conhecimentos relativos ao Médio Oriente. Nuno Nepomuceno consegue dar informações com clareza, mas sem fazer com que o leitor sinta que está a ler um ensaio. Todos os tópicos foram bem colocados e expostos, e devo realçar uma certa entrevista que o professor catalão dá e na qual aborda muitos assuntos com naturalidade de forma interessante. Isto é possível graças ao talento do autor.

A Célula Adormecida é um livro que recomendo, sem sombra de dúvida. Apresenta uma história que está bem escrita, é atual, próxima e faz pensar sobre a sociedade em que vivemos, sobre quem realmente nos governa e sobre o medo enquanto instrumento de repressão e ódio. No final, surge uma mensagem importante relativa a tolerância, compreensão e aceitação da diferença. Acabar de vez com o terrorismo pode não estar nas nossas mãos, mas construir uma comunidade pacífica só depende da forma como aceitamos e respeitamos o outro.»



Cláudia Sérgio
umabibliotecaemconstrucao.blogspot.pt




Entrevista concedida a Fernando Alvim, programa É a vida Alvim, canal Q, dia 12 de novembro de 2016.





PS — Estejam atentos às próximas entradas! O lançamento nacional de A Célula Adormecida está a aproximar-se e a festa vai ser grande. Happy



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