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Site oficial de Nuno Nepomuceno.

Passatempo especial 5 anos de carreira.

Faz hoje, dia 15 de novembro de 2017, 5 anos que fui anunciado como o vencedor do Prémio Literário Note! com O Espião Português. Para celebrar a ocasião, resolvi sortear 3 packs de merchandising Nuno Nepomuceno nas minhas 3 principais redes sociais, o Facebook, o Twitter e o Instagram.


passatempo



Deixo abaixo as condições de participação:

1) Cada pessoa só pode concorrer uma vez em cada rede social num total de 3 (se concorrer nas 3 redes sociais);

2) Cada
pack consiste de:

  • 1 tapete para rato A Célula Adormecida;
  • 1 esferográfica A Célula Adormecida;
  • 1 régua de 15cm A Célula Adormecida;
  • 1 porta canetas Trilogia Freelancer;
  • 3 lápis NunoNepomuceno.com.

3) Para concorrer, basta:

  • Ser seguidor (ou passar a sê-lo) da página/ perfil do Facebook ou Instagram/ Twitter;
  • Fazer like no passatempo;
  • Comentar com o nome (após o qual será atribuído um número de participação).

4) O vencedor será escolhido através da ferramenta de sorteio aleatório Mr. Random (Random.org);

5) O passatempo decorre entre os dias 15 e 22 de novembro de 2017.


Boa sorte.

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O que eu tenho andado a ler, v2.0.

Esta entrada é dedicada aos livros que tenho andado a ler desde março até hoje, dia 31 de outubro, o dia em que a estou a escrever. Não são muitos, mas aqueles para os quais tenho conseguido encontrar tempo. Os pequenos textos que dedico a cada um deles não passam disso mesmo e não devem ser encarados como críticas.


O Homem Ausente, Hjorth & Rosenfeldt, Suma de Letras

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Para quem o desconhece, este é o terceiro volume de uma série policial nórdica cujo protagonista é um ex-profiler que regressa ao ativo após um longo período afastado. As histórias são independentes e este tomo em particular foca-se na investigação que se segue à descoberta de um conjunto de corpos enterrados na neve.

Eu gostei do livro em geral. A série, que não me tinha convencido com o primeiro volume,
Segredos Obscuros, arrebatou-me com o segundo, O Discípulo. Aqui, senti que a história foi algo «esticada» e pouco interessante. Enquanto que no seu antecessor o enredo serviu para trabalhar as personagens e para criar empatia com elas (o que não é fácil com este protagonista, garanto-vos), neste livro julgo que isso não aconteceu. É quase como que se a certo ponto a investigação policial se tivesse tornado secundária e a história se focasse exclusivamente nas personagens. De qualquer modo, como aparentemente me dou melhor com os episódios pares, cá estou à espera do já anunciado quarto volume (A Menina Silenciosa).


A Viúva, Fiona Barton, Planeta

A-Viúva

Foi um dos êxitos comerciais do ano passado, mais um que nos foi vendido como semelhante à
Rapariga do Comboio ou Em Parte Incerta. A meu ver, são livros algo diferentes e este, em particular, acaba por perder com essa comparação (dos dois que cito, preferi sem dúvida Em Parte Incerta, que descobri ainda antes da aclamada adaptação cinematográfica de David Fincher). A Viúva é essencialmente um livro que se lê bem. O enredo é interessante. A pedofilia é, normalmente, uma aposta ganha. E a narrativa é bastante competente, mas não passa disso mesmo.


Santuário, The Loney, Andrew Michael Hurley, Bertrand

santuario

É um lugar-comum dizer que não devemos julgar um livro pela capa, se bem que, neste caso, foi mesmo isso que me fez comprá-lo. A ideia de uma história escondida sobre a infância de um par de irmãos num lugar recôndito junto à costa tem o poder de nos mexer com a cabeça. E quando o design é atrativo como neste caso, ainda melhor.

Há um certo magnetismo inexplicável em
O Santuário que só reconheço nos grandes livros. As páginas vão passando de forma lenta, a história promete cada vez mais, mas nunca chega a avançar efetivamente, e damos por nós envolvidos. Depois, há o risco de não corresponder às expectativas, de não dar explicações suficientes para o imaginário criado. Julgo que este foi o problema deste livro. Há um trabalho notável do autor, que tem de ser enaltecido, ao ponto de quase nos dar a sensação de existir uma outra personagem na história para além das físicas. Falo da religião. Mas julgo que acaba por deixar demasiadas coisas à deriva. É certo que se trata de um livro em que grande parte do enredo acaba por ficar nas entrelinhas, mas considero que o final é apressado, confuso e pouco claro.


Os Desafios da Europa, Livros de Ontem

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Este livro é uma pequena coletânea de contos criada com o trabalho dos vencedores do Prémio Literário da Junta de Freguesia dos Olivais. Trata-se de uma obra da qual fui um apoiante, sobretudo por conhecer duas das escritoras que a integram, Márcia Balsas e Márcia Costa. Li apenas os contos destas duas autoras, os quais são muito diferentes, quer na forma narrativa a que recorreram, bem como na abordagem que escolheram fazer do tema. Mas recomendo-os vivamente. Vivemos numa sociedade difícil, com desafios complexos pela frente, e questões como a emigração ou os movimentos migratórios têm de fazer parte da discussão quotidiana, gostemos ou não nós de ouvir falar nisso. Portanto, deixo aqui o meu aplauso a estas duas jovens escritoras, bem como ao restante elenco que forma a coletânea, pela coragem demonstrada.


Areias Movediças, Arne Dahl, D Quixote

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Já se percebeu que eu tenho um fraquinho por capas bonitas, não é? Pois, aqui está mais um caso. Começo por fazer festinhas ao livro e depois levo-o à caixa e trago-o comigo para casa.

Brincadeiras à parte, fiquei algo desapontado com este livro. Talvez tenha pegado nele no pior momento possível (li-o durante os meses do verão, uma altura em que me encontrava bastante cansado por causa da redação do meu próprio livro), ou pura e simplesmente já tenha tido a minha dose de autores nórdicos. A história é um pouco diferente do tradicional romance policial sueco, tendo até alguns contornos de espionagem, o que foi agradável. Mas a verdade é que achei que as duas personagens principais não tinham assim tanta química quanto seria desejável e que os «saltos» no enredo tornaram o livro algo confuso.


O Homem Que Perseguia a Sua Sombra, David Lagercrantz, D. Quixote

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Mais uma série policial nórdica, desta feita bastante famosa, se bem que agora pela mão de um outro escritor, na sequência da morte de Stieg Larsson, o autor dos três primeiros livros.

A comparação entre os dois é inevitável, embora algo dispensável. David Lagercrantz já escrevia antes de ter pegado na série Millennium e não imitou o estilo de Larsson. Pediu-lhes as personagens «emprestadas» e escreveu a sua própria trilogia com elas (julgo que a série terminará com o sexto e último volume). Não considero que este livro evidencie o mesmo brilhantismo do 2º volume de Larsson, por exemplo, mas, como escrevi antes, não devemos comparar as duas séries. Este volume, em particular, é um bom policial, sobretudo na segunda metade. O desenvolvimento que Lagercrantz deu ao arco narrativo dos gémeos monozigóticos está muito bem estruturado e conseguiu criar alguma empatia comigo. É para ler a série toda até ao fim!

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Discurso direto.

Transcrição da entrevista concedida em direto via Skype a Diogo Coutinho, No Conforto dos Livros.

«
As pessoas vão ver um Nuno ainda mais negro no novo livro, um ponto ao qual sempre quis chegar e que vou dar a conhecer finalmente. Acho que vão ficar surpreendidas ou até mesmo chocadas com o conteúdo.»

  • 1. Eu gostaria de começar com a “pergunta da praxe”, ou seja, existe algum livro ou autor que considere especialmente inspirador, ou que o tenha ajudado na escrita?

O meu preferido é “Os Três Mosqueteiros”, de Alexandre Dumas (eu tenho um estilo bastante diferente dele). Mas há alguns autores que são, obviamente, uma referência para mim e que, de alguma forma, acabaram por despertar em mim um maior desejo de escrever. É o caso de Daniel Silva (muitas pessoas fazem essa comparação, atualmente). Não escondo que gosto de ler os livros do Daniel, mas também acho que tenho uma voz própria. Acabamos sempre por ser influenciados por diversos autores e por tudo aquilo que se passa à nossa volta, ao que assistimos e ouvimos; é impossível ser completamente original. Também tenho algumas umas referências em Portugal, sobretudo pelas carreiras que têm desenvolvido e pela forma como as têm gerido. É o caso de José Rodrigues dos Santos e do próprio Luís Miguel Rocha (que, infelizmente, já faleceu). São todos bons exemplos a seguir e que devem ser respeitados, quer se goste ou não do seu estilo.
 
  • 2. Pegando então em inícios, passaria ao “Espião Português”, o seu primeiro livro publicado. Porquê a espionagem para começar uma carreira como autor?

Era o género em que me sentia mais confortável por duas razões. Em primeiro lugar, sempre gostei de ler e ver filmes e séries sobre espionagem. Não tenho qualquer formação na área, mas quando comecei a escrever o primeiro livro, era nesse género que me sentia capaz de fazer um melhor trabalho. Por outro lado, achei que em termos de mercado seria uma escolha ousada e até inteligente. Um autor a escrever sobre espionagem em Portugal seria algo diferente do panorama atual, e acho que tenho conquistado algum público por isso mesmo. Os autores de policiais são poucos por cá. E de espionagem e ação, como é o caso de “O Espião Português”, não consigo citar um outro nome. Foi uma estratégia que segui, ainda que entretanto tenha evoluído na minha carreira. Não tenho abordado exclusivamente espionagem e ação, mas estas são referências que vêm comigo e que acabam por moldar aquilo que sou enquanto escritor.
 
  • 3. Quanto ao seu último livro, “A Célula Adormecida”, como surgiu a ideia? Foi algum momento específico da sua vida?

Não precisamente. Foi uma ideia que foi sendo amadurecida com a editora com a qual trabalhava na altura. Quando entreguei “A Hora Solene”, tivemos uma pequena reunião na qual discutimos qual seria o próximo livro. Colocámos algumas opções em cima da mesa e a ideia dada pelo editor foi a de escrever um thriller sobre tensões sociais. Isto aconteceu em setembro de 2015, uma altura em que começaram a surgir imensas notícias sobre o êxodo de refugiados e a tragédia que ocorria nos mares da Grécia e Itália, acontecimentos que provocaram diversas diversas tensões sociais nos países de acolhimento. O livro não versa muito sobre o tema, mas aborda temas como a xenofobia, o racismo e o crescimento dos partidos de extrema direita. São assuntos que se encontram relacionados com as tensões sociais, embora o narrativa do livro seja maioritariamente dedicada ao terrorismo.
 
  • 4. Permanecendo na “Célula”, e visto que, durante a leitura do livro, reparei (e seria impossível não o fazer) que revelou profundos conhecimentos sobre a cultura islâmica, as células terroristas, os refugiados, etc, como se desenvolveu este período de pesquisa?

Existiram duas pessoas que me ajudaram na pesquisa. Quanto à cultura islâmica, dirige-me à Mesquita Central de Lisboa, travando conhecimento com o sheik David Munir, um dos dois imãs. Falei com o sheik por várias vezes e estive presente em alguns dos dias de congregação, às sextas feiras. Também me familiarizei muito com o espaço e fui tendo algum contacto com a cultura. Paralelamente, fiz uma pesquisa sobre certos aspetos da religião em si. Utilizei livros, artigos de imprensa e li excertos do Alcorão. Portanto, foi um processo bastante longo que começou em novembro e que foi sendo complementado ao longo do processo de escrita do livro. E até a revisão contou com a ajuda do sheikh Munir. A nível das células terroristas, tive a ajuda de um contacto que trabalha nos Serviços Secretos Portugueses e que não estou autorizado a identificar. Também efetuei uma pesquisa semelhante para o livro que foi anunciado para o ano.
 
5. O que considera ser autor em Portugal? Talvez algo mais inglório do que em outros países?

Considero que ser autor em Portugal é exatamente o mesmo que em qualquer outro país pequeno. As pessoas comparam-nos muito com o Reino Unido ou com os Estados Unidos da América, onde um livro que vende pouco é um bestseller em Portugal, se compararmos os números. Mas nós não devemos fazê-lo. São mercados com fundamentos completamente diferentes, começando logo pelo número de leitores e pelas suas condições económicas. As pessoas têm reservas em investir num livro, porque o utilizam durante um determinado número de semanas e depois este fica arrumado na estante. É claro que aqui enfrentamos dificuldades, mas isso também acontece, por exemplo, com um autor na Hungria, Itália, Grécia, etc. E se pensarmos nos escritores africanos, eles estão muito pior do que nós, daí que autores angolanos e moçambicanos se socorram do mercado português para singrarem. Se compararmos com os mercados americano, inglês e espanhol, ficaremos sempre a perder. É difícil ser autor em Portugal, mas não é impossível. E temos autores portugueses que vendem tanto ou mais do que autores estrangeiros. Alguns deles competem diretamente com Dan Brown no top nacional. Portanto, sim, é difícil, mas não impossível.
 
  • 6. Sempre ouvimos dizer que um bom escritor tem de ser, antes de mais, um bom leitor. Tem alguma espécie de disciplina; “regras” para ler e escrever?

O meu processo de escrita tem-se alterado bastante ao longo dos últimos anos. Os primeiros dois livros foram escritos sob a forma de fragmentos. A partir de “A Hora Solene”, tentei reservar uma parte do meu ano (no caso de “A Célula Adormecida”, foram quatro meses) para me dedicar mais à escrita (não exclusivamente, já que tenho outra carreira), mas procuro canalizar todo o meu tempo livre para a escrita. Nesse tempo, tento ter, pelo menos, duas a três horas disponíveis. Não sou capaz de pegar num computador e iniciar um capítulo sem antes preparar algumas ideias, esquematizar. De resto, vou tentando condensar o processo e reservar uns meses para isso. Se tiver o dia livre, tentarei escrever de manhã e à tarde. Não costumo escrever à noite. Para mim, tem-se tornado cada vez mais importante ter ritmo de escrita; é muito bom e ajuda-nos a progredir no livro. É mais fácil entrar no universo do livro e nas personagens com uma redação continuada.
Como leitor, não tenho regras. Já li mais do que leio atualmente. Pelo facto de ter duas carreiras em paralelo, é difícil ler tanto quanto gostaria. Chego cansado ao fim do dia e com a vista fatigada. De qualquer das formas, neste momento, não estou a escrever, o que significa que ando a ler. E assim irei continuar nos próximos meses, ao mesmo tempo que preparamos o lançamento do meu novo livro, que poderá ocorrer em janeiro ou em março.
 
  • 7. Durante/no final da escrita do livro, costuma pedir conselhos a pessoas conhecidas, a alguém especializado até?

Não. Eu tomo todas as decisões sobre o livro e não revelo o conteúdo a ninguém. Cheguei a mostrar “A Espia do Oriente” a um familiar, mas atualmente já nem isso faço. O livro sai da minha mão diretamente para o editor. Depois, acaba por sofrer alterações com o processo de edição, no qual se encontra o meu novo livro neste momento. Será sempre sujeito a algumas modificações, mas espero que não sejam muitas.
 
8. Dos livros que escreveu, se tivesse de escolher um como seu "predileto", qual seria?
Todos eles são especiais para mim de uma forma ou de outra. “O Espião Português” foi o primeiro e é ainda aquele pelo qual sou mais conhecido. “A Espia do Oriente”, infelizmente, é o meu livro menos vendido, mas diria que é o que mais gosto. É o mais grosso da trilogia, o mais denso, o mais negro. “A Hora Solene” é especial porque foi o fim de um projeto de doze anos e por ser o mais equilibrado dos três. “A Célula Adormecida” trouxe-me algum reconhecimento, mas o meu preferido será o livro novo. Estou muito, muito satisfeito com ele. É um thriller psicológico que volta a ter uma grande componente religiosa e algumas ligações ao terrorismo e à espionagem. Estou orgulhoso. As pessoas vão ver um Nuno ainda mais negro, um ponto ao qual sempre quis chegar e que vou dar a conhecer finalmente. Acho que vão ficar surpreendidas ou até mesmo chocadas com o conteúdo do livro.
 
  • 9. A última questão é mesmo sobre o seu novo trabalho. De certa forma já foi respondida, mas, se quiser adiantar mais algum detalhe…

Não posso falar muito sobre ele por questões de marketing, visto que ainda é muito cedo. O objetivo é que chegue às livrarias a tempo das campanhas do dia do pai. O mais provável, e se não houver imprevistos, é o livro sair em janeiro. Bem… O que posso dizer sobre o livro para além do que já disse há pouco? Há uma novidade. O protagonista do livro é novamente o protagonista de “A Célula Adormecida”. O professor Catalão está. É algo que ainda não contei a ninguém; é a primeira vez que o estou a dizer. Não é uma continuação, contrariamente àquilo que se possa pensar. Não estou a fazer uma nova trilogia. Aliás, nem sequer decidi ainda se voltar ou não ao Afonso um dia. É apenas um livro cujo protagonista transita do anterior. Será um thriller psicológico muito denso e com alguns temas bastante polémicos pelo meio.

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Modelo por três dias.

O momento acerca do qual já me referi aqui algumas vezes, duas se não me encontro enganado, chegou. As minhas fotografias oficiais já estão algo desatualizadas. Quem me conhece sabe que ganhei imenso charme nos últimos anos (cof, cof), pelo que eu e a Agência das Letras resolvemos renovar um pouco a minha imagem.

Tal como dei conta nas minhas redes sociais, a primeira sessão fotográfica decorreu na passada terça-feira, dia 17. Durou cerca de uma hora, na qual utilizei quatro mudas de roupa e outros tantos cenários, todos em padrões neutros (fundo negro ou branco; sentado, de pé ou apoiado numa secretária). Confesso que me encontrava algo nervoso. Tenho-me sentido à vontade com as idas à televisão, mas a ideia de posar para uma câmara e ter de fazer uma expressão intimida-me. O grupo de trabalho foi, por isso, mantido bem pequeno — apenas eu, a Assunção, o João e o Rodrigo; a fotógrafa, o meu agente e um dos meus assessores de imprensa, respetivamente. E o resultado acabou por ser algo surpreendente. Não tinha reparado que andava tão moreno, ultimamente. O tempo que tenho passado na rua a passear o Kimi (pelo menos uma hora por dia, pois o senhor cachorro anda a ficar gorducho) tem compensado. Vamos ver se tanto lustre não partiu a câmara!

Brincadeiras à parte, a ideia é criar uma base de dados de fotografias oficiais. Daí que vão existir ainda mais duas sessões. A segunda será já esta segunda-feira, dia 23, e com novidades. Iremos deixar o estúdio e rumar a uma localização externa bem no coração de Lisboa onde os livros vão dominar. Caso a meteorologia o permita, o plano será também estender a sessão a um jardim. Vamos ver se S. Pedro nos dá uma pequena ajuda.

A ideia subjacente é criar uma base de dados com fotografias oficiais minhas de onde serão escolhidas algumas para usos diversos, como para colocar na badana do novo livro, enviar à imprensa ou apresentar na remodelação do meu site. É verdade, este cantinho já tem uma nova maquete e surgirá rejuvenescido em janeiro.

Ao bom estilo dos
thrillers, deixarei o melhor para o fim. A terceira e última sessão fotográfica está pensada apenas para dezembro numa outra localização acerca da qual nada irei revelar. Será muito específica/ dedicada ao livro e mais não digo. Me aguardem! Winking

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[Eu, à saída do estúdio onde decorreu a primeira sessão fotográfica. Como se vê, vim pior do que um peru inchado.]

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[Atualização 24/10/2017: Eu e Assunção Castello Branco, a fotógrafa da Lift, a ensaiarmos um grande plano com luz e sombra para promover o novo livro. Fotografia por Rodrigo Almeida Fernandes, Lift.]

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O meu labrador gosta de cotas. LOL!


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Soube desde o primeiro momento em que olhei para ele que iria ter em mãos um cachorro especial. Aliás, foi o próprio criador a quem o comprei que mo confirmou há cerca de um ano, o dia em que o trouxe para casa. Começou por apontar para a caixa de cartão que levara para o transportar.

— O que é que pensa que veio buscar, um gato? — perguntou o senhor.

— Ele não cabe aqui? — respondi, aturdido. Tinha a inocente ideia de que todos os labradores bebés eram frágeis, puros e inocentes como os do anúncio da
Scottex. Porque é que o meu haveria de ser diferente?

— O cão que tenho para si é um pouco mais velho do que o que me encomendou — explicou o homem, com seriedade.

— O que é que aconteceu ao meu?

Apesar de ainda não o ter visto, já me imaginava com o pequeno Kimi serenamente a dormir no meu colo ou a trotar disciplinado ao meu lado.

— As bolinhas não desceram — disse ele. — Por isso, dei-o a uma pessoa amiga, mas tenho aqui um outro cachorro com mais duas semanas que é muito asseado. É o cão ideal para si, vai ver!

Tive a certeza assim que o vi vir a correr, as patas de trás a atropelarem as da frente de forma atabalhoada e os dentes de leite a mordiscarem as botas do criador, que bem que me podia preparar para uma mão cheia de trabalhos. Estava um dia de sol e o pelo branco reluzia sob o céu azul. Curiosamente, vinha manchado com várias pintas castanhas. O senhor cachorro, o tal que era o ex-líbris do asseio, acabara de andar à bulha com o irmão, durante a qual rebolou por cima dos próprios excrementos.

Os dias e meses que se seguiram confirmaram-no categoricamente. O Kimi é, sem dúvida, um cachorro especial. Diria antes traquinas, desavergonhado e irremediavelmente teimoso. Quando eu tentei ensiná-lo a andar com trela aproveitou a oportunidade para sentar o rabo no chão e extorquir-me um sem fim de guloseimas que escondeu no meio dos arbustos (ou melhor, naquilo que em tempos foram os meus arbustos, pois a minha casa deixou de ter um jardim; é agora rodeada por um canil de luxo!). E acabou-se o sossego à noite. O senhor cachorro, que dorme no alpendre, tem o desplante de andar a espreitar pelas portas de sacada da sala, à minha procura, chegando a bater nos vidros com as patas ou o focinho até eu me levantar do sofá e ir brincar com ele.

Claro que estou a exagerar um pouco. Obviamente que desde o dia em que o fui buscar, que o Kimi aprendeu quem é que manda cá em casa. Pois, sim, é ele…

Mas isto de ter um cão com um charme irresistível e os olhos de um James Dean dos tempos modernos também tem as suas vantagens. Eu, que vivo no meu bairro há oito anos, nunca fui mais popular como agora. Passei de ser um autêntico eremita desconhecido para o rei da rua. Todos os meus vizinhos me conhecem como o dono do Kimi (não como o Nuno, repare-se) e o novo estatuto de celebridade de que gozo à custa do fofo do meu cão é tão peculiar, que já me perguntaram inclusivamente se me tinha mudado para aqui recentemente.

O ponto positivo é que passei a socializar mais. O passeio diário que dou com o Kimi serve para tudo um pouco, desde arejar a cabeça a colocar as tricas de vizinhos em dia. Mas claro que o senhor cachorro não poderia, ainda assim, deixar de fazer das suas. Num destes dias, estava eu calmamente a trocar umas palavras com um senhor que andava a passear um casal de
golden retrievers, quando dei pela cadela a esconder-se muito depressa atrás das pernas do dono, assustada. A Wendy, que tem quase 14 anos e caminha já com alguma dificuldade, estava a ser «cortejada» por um senhor labrador, que desavergonhadamente lhe «arrastara a asa». Não é que o meu cachorro gosta de cotas?

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A Célula Adormecida, por Margarida Veríssimo.

Opinião retirada de novagazeta.pt.

«Ler um livro é algo que me dá sempre muito prazer. Se o livro for bom, para além do prazer que me dá, ainda me transporta para o seu mundo como se eu própria fosse personagem, vivendo em tempo real as aventuras, desventuras, paixões, desilusões, frustrações, vitórias, medos e alegrias descritas. Mas se um livro for muito bom e lido na língua original em que foi escrito, então o prazer imenso funde-se com o orgulho. Foram estes sentimentos que o livro “A Célula Adormecida” de Nuno Nepomuceno me proporcionou.

O livro, muito atual, cativa-nos da primeira à última palavra. Com capítulos pequenos, apresenta-nos o enredo, a ação e a muita informação de forma serena, sem pressas, permitindo-nos ir absorvendo e assimilando todas as questões tratadas no decorrer da história, sem que com isso perca o ritmo da ação, que em crescente cadência no prende e nos estimula. Não sendo um livro ligeiro também não é massudo nem pesado. Tem tudo no sítio certo, na altura certa, na dose certa.

“A Célula Adormecida” fala de política, de religião, de traição, de ódio e de amor, com muito amor, com muita humanidade. Curiosamente não senti qualquer raiva ou ódio pelos personagens com personalidades mais irritantes ou executantes de atos condenáveis, tal o amor e compaixão que o autor lhes/nos transmite. E o livro é isso mesmo, uma lição de amor, apesar de o ódio ser um sentimento constante ao longo de toda a narrativa.

A par de ler o livro na sua língua original, o português, o que considero sempre uma mais-valia, outra caraterística que me fez sentir mais próxima e dentro do livro foi o facto da ação se dividir entre a cosmopolita Istambul e a minha amada e saudosa Lisboa, nos seus percursos pela cidade.

Sendo um livro de ficção, relata-nos factos e situações reais, o que torna toda a história muito mais emocionante e nos faz pensar profundamente na possibilidade da ficção se tornar realidade. Por outro lado, é uma obra que nos conduz à realidade de uma comunidade cada vez maior na/da nossa sociedade.

Esta obra fez-me recordar quando há mais de 25 anos fiz para a faculdade um trabalho de grupo sobre a Mesquita Central de Lisboa. De uma forma muito mais distante e ligeira, também nessa altura tivemos de perceber a cultura, a religião e a arquitetura islâmica para então compreender e caracterizar o edifício da mesquita. Mas o que recordo com mais carinho, o mesmo carinho que senti no livro, foi a simpatia e abertura com que fomos recebidos na mesquita. Apesar de sermos 1 rapaz e 3 raparigas de 20 anos, nunca senti qualquer pudor ou preconceito. O responsável que nos recebeu mostrou-se sempre muito prestável e até divertido, contando-nos histórias e curiosidades sobre o projeto e a construção da mesquita e permitiu-nos uma visita aos vários espaços do edifício, com exceção da sala de orações exclusivamente destinada a homens, onde apenas ao nosso colega rapaz foi permitido entrar… Como “castigo” pelo privilégio, por maioria (feminina) foi decidido que seria ele a apresentar oralmente essa parte do trabalho.

Por todas estas e muitas mais razões, que decerto encontrarão, “A Célula Adormecida” de Nuno Nepomuceno é um livro que recomendo vivamente.»


Margarida Veríssimo
novagazeta.pt

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A Espia do Oriente, por Isaura Pereira vs A Célula Adormecida, por Diogo Coutinho


Opiniões retiradas dos blogues de opiniões literárias
Jardim de Mil Histórias e No Conforto dos Livros.

«Se o primeiro livro foi uma introdução a toda a história, neste volume encontramos mais ação e um aprofundamento da vida de espião de André Marques-Smith. Temos a oportunidade de conhecer melhor outras personagens, como 
China Girl, que inicia uma empatia maior com o leitor (pelo menos, foi essa a minha perceção).  Novamente muito bem escrito, com muito ritmo e ação. Não sou de ler séries ou trilogias. Se não me engano esta é a primeira série/trilogia que leio. Contudo, acho que o segundo volume é sempre mais denso, pois tem maior profundidade na história.  Quero ler e conhecer o final desta história e destas personagens que me acompanharam durante algum tempo. Não deixem de ler, que vale a pena.»


A Espia do Oriente
Isaura Pereira
jardimdemilhistorias.blogspot.pt




«Tenho de vos dizer que gostei da ideia, do facto de o autor envolver o nosso país no tema do terrorismo, que (felizmente) ainda desconhece essa realidade. Gostei da teoria desenvolvida ao longo da obra, a qual já chegara a ponderar.

Acima de tudo, estou certo de que os temas desenvolvidos completam a temática geral: é-nos apresentada uma família de refugiados em Portugal, conhecemos um pouco da cultura islâmica e dos conflitos no Médio Oriente, a mediatização dos atentados e as represálias que caem sobre os inocentes muçulmanos que apenas visam a paz. Por acaso (ou nem tanto!), ao longo de toda a obra, a distinção entre o islamismo e terrorismo é perfeitamente desenvolvida e conseguida: islamismo é paz e respeito, terrorismo é morte e deturpação dos princípios de Alá.

E tudo é acompanhado por um toquezinho de espionagem, com o qual me deliciei...

A narrativa em terceira pessoa alterna entre o professor Catalão, a família de refugiados e uma jornalista de renome que investiga o caso para apresentar aos portugueses. Já a escrita, não me agradou assim tanto: nitidamente, vocabulário não falta ao autor, mas creio que lhe faltou um bocadinho de ritmo, frases um pouco mais longas e ligadas, menos interrupções. Desta forma, até os momentos de suspense no final dos capítulos teriam outro impacto.
 
As personagens são bastante cativantes, ou melhor, vão-se tornando à medida que vamos avançado e conhecendo melhor o seu caráter, incluindo o seu passado (existem alguns recuos aos anos anteriores e nas doses certas).

A capa, bastante simples, representa uma simbologia presente em toda a obra. A diagramação auxilia a fluidez da leitura.

Enfim, gostei da abordagem do autor, mesmo que não tinha sido a mais criativa. Conseguiu cativar-me durante toda a leitura, o que é um ponto mais que positivo. Aconselho a todos para que sejam cidadãos mais conscientes acerca do que ocorre à nossa volta e do que o terrorismo engloba, os seus objetivos. E, já sabem, aproveitem que é nacional!»


A Célula Adormecida
Diogo Coutinho
no-conforto-dos-livros.webnode.com

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Cultura.


culturalogo


Houve um momento no passado, que não consigo precisar com exatidão, mas que julgo ter ocorrido durante o fim do inverno deste ano, em que dei por mim a pensar no que fazer, qual o rumo pelo qual enveredar. Estava prestes a terminar o processo de pesquisa que delineara para o meu novo romance e o dia (o grande dia) em que iria abrir o ficheiro e começar o primeiro capítulo aproximava-se rapidamente. Foi então que decidi escrever o livro que desejava, imune a pressões, sem querer agradar a ninguém. Entreguei-o a uma nova editora no passado dia 30 de agosto.

Cultura Editora será a chancela que irá publicar o meu quinto original. Apesar de jovem, esta nova casa é habitada por profissionais muito experientes, aos quais agradeço a oportunidade de me incluírem na «família». Trata-se das mesmas pessoas que têm estado nos bastidores de livros de inquestionável sucesso como
Arquipélago, de Joel Neto, ou Prometo Falhar, de Pedro Chagas Freitas, dos quais, ao lado de outros escritores que respeito e admiro, como Carla M. Soares, Flávio Capuleto ou Luís Corredoura, passarei a ser colega.

Não tornarei públicas as razões pelas quais denunciei o contrato com a TopBooks, apesar da exclusividade que concedi a esta editora antes de reeditar
O Espião Português e que tinha inclusivamente sido aumentada aquando do contrato da Célula Adormecida. Não se trata de ingratidão. Reconheço que talvez não tivesse chegado até aqui sem os livros que publiquei com a TopBooks, que me terão dado a mão quando mais ninguém o queria fazer. Mas tenho de procurar o que é melhor para mim e para o futuro que desejo dar aos meus livros. Independentemente dos resultados que o ano de 2018 possa trazer, estou feliz com a opção tomada. Sou agora um autor livre, cujo único compromisso é para com a Agência das Letras, o escritório de agenciamento literário que me passou a representar. O que estará por vir será sempre incerto, mas encaro-o com renovado otimismo e esperança, algo que talvez tenha perdido de há um ano a esta parte.

Não me irei alongar sobre o que será ou não o meu novo livro. Ainda é demasiado cedo, pois nem sequer se encontra fechado. Tratar-se-á de mais um
thriller psicológico, embora diferente do anterior, já que pouco ou nada tem a ver com terrorismo. A capa e o processo de edição já arrancaram, este último ao encargo de Hugo Gonçalves, coautor da série de televisão País Irmão, atualmente a ser exibida pela RTP1. Poderia enunciar aqui uma sucessão de adjetivos acerca do conteúdo, embora prefira não o fazer, não só porque me cairia mal, mas porque prefiro deixar essa responsabilidade ao encargo dos seus futuros leitores. A minha visão será sempre subjetiva e as coisas são o que são. Repito que estou particularmente contente e algo surpreso, diria mesmo, pela qualidade do resultado final. Deixo-vos aqui com a primeira imagem. Em janeiro ou março do próximo ano renascerá com uma capa e a forma de um livro.


livronovofirstpic

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Representado.


agenciadasletras

Prometi algumas novidades na última entrada que apresentei e hoje debruço-me exatamente sobre a primeira de todas elas. Desde a semana passada, a altura em que assinei o contrato, que passei a ser representado pela
Agência das Letras, uma agência de talentos com um carinho especial pelas mais diversas vertentes literárias.

Cheguei atrasado, tal como infelizmente se tem tornado num (mau) hábito nos últimos tempos, e acabei mesmo por ir bater à porta errada, apesar de já conhecer o escritório, pois estive lá para uma reunião no passado mês de julho. A sério, este ano tem-me corrido tão mal, que não sei porque é que ainda não resolvi fazer um desvio na carreira e abandonar os
thrillers para me dedicar à comédia. Desabafos à parte, o que importa é que no fim de todas as minhas peripécias, o momento correu pelo melhor e um sonho antigo concretizou-se. Dei por mim, no dia seguinte, em casa, a conversar com a minha família e a dizer que quase cinco anos depois de ter publicado o meu primeiro livro tenho finalmente um agente literário.

Nada irá mudar, pelo menos, não por enquanto. A diferença mais importante é que este é mais um passo na direção certa, ou seja, no sentido da profissionalização. Passará a existir uma pessoa que não só irá servir de intermediário entre mim e a editora como ainda se irá dedicar à promoção da minha carreira literária. Se tudo permanecerá exatamente na mesma ou se vem aí uma revolução completa, é demasiado cedo para o afirmar, embora me confesse muito otimista e orgulhoso de partilhar a
Agência das Letras com escritores como Joel Neto e Manuela Gonzaga, só para citar alguns dos outros talentos que são representados. Convido-os, portanto, a conhecer aquela que será a minha nova casa durante os próximos sete anos. O site está bem bonito.

A principal alteração será, para já, a editora. Como dei aqui a saber, tirei algum tempo para me dedicar mais a fundo à conclusão do meu próximo romance. Foi uma decisão que julgo ter sido acertada, pois não só já o acabei como o entreguei à editora. Contudo, não será a TopBooks que o irá publicar. Estou de saída e o meu novo livro, cuja data de lançamento está prevista para o fim de janeiro ou início de fevereiro, será publicada por uma outra editora, algo que me está a deixar bastante feliz e motivado. Contudo, sobre isto e o livro irei escrever um pouco na próxima entrada, pelo que aconselho a quem possa ter ficado curioso a passar por aqui. Só uma pista: começa por C. Winking

Para terminar, gostaria de agradecer todas as reações que a minha última publicação recebeu, bem como os desejos de melhoras. A dor desapareceu e espero que o problema de saúde de que andava a padecer tenha sofrido o mesmo destino. Muito obrigado por todo o carinho.

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Pausa.

Substantivo feminino sinónimo de uma breve interrupção.

Ou pelo menos, essa é a intenção para as próximas semanas. Salvo algum imprevisto, irei fazer um pequeno intervalo na minha presença aqui e nas redes sociais. Tenho algumas coisas pensadas para a última semana de julho, que não passarão do habitual, e depois irei afastar-me durante algum tempo. Já escrevi sobre isto antes, se não me encontro enganado talvez em abril, mas acabei por não cumprir com a promessa. Foram surgindo novas opiniões aos livros, que gosto de partilhar, já que me têm posto no mau costume de serem sempre positivas, além de uma ou outra situação diferente, como a conferência na Universidade Lusófona (que acabou por ser adiada e está, ainda, sem data) e a recente entrevista que dei.

Não se trata de cansaço, nem sequer de vedetismo. Há um pouco do primeiro, sim, se bem que do segundo espero que não, mas essencialmente da necessidade de me concentrar no fecho do meu novo romance. Surgiram alguns leitores e amigos a perguntar por ele recentemente, aos quais respondi de modo algo furtivo, como passei a fazer depois da experiência que tive com a trilogia
Freelancer. Já fui incentivado a mostrar aquilo no qual me encontro a trabalhar, ao que disse: «Se as pessoas estiverem atentas, vão percebê-lo. Há pistas aqui e ali.». Mas gostaria de tranquilizar quem se encontrar mais ansioso. O livro está quase acabado. Julgo conseguir terminá-lo até ao fim de agosto e se tudo continuar como tem andado até agora, será um prazer e um orgulho fazê-lo. Falta-me redigir cerca de 20% da história e considero ter em mãos o meu melhor trabalho.

Este ano tem sido difícil, ao ponto de ter equacionado encerrar a carreira. Não me ando a sentir bem e há uma ligeira situação de saúde que surgiu recentemente que vou ter de analisar em pormenor, embora não me pareça ser nada de grave. Irei necessitar de fazer alguns exames e suspeito que esteja até relacionada com exaustão ou com uma grande gripe que tive em janeiro que poderá ter sido mal curada. O Kimi, que é um doce de cão e o melhor amigo que podia ter pedido, tem sido um desafio, já que revolucionou por completo a minha vida, incluindo as rotinas de escrita. Mas queria deixar claro que podem esperar um novo livro para breve. Não o será é em 2017. Foi decidido que a melhor estratégia para este seria colocá-lo em 2018, evitando os pesos pesados que já se perfilaram para a próxima época natalícia.

Quando regressar (prometo que o farei algures em setembro, sem grandes compromissos ou uma data definida), talvez possa falar mais abertamente sobre tudo o de novo que aí vem. Esperem um novo livro, entre outras coisas novas, e quem sabe um Nuno diferente, pois irá aproveitar esses mesmos meses de intervalo que se seguirão entre a conclusão e a edição do próximo romance para realmente descansar e recuperar. Será também nessa altura que este espaço deverá ser redesenhado, incluindo a minha imagem pública. Decidi entregar toda a gestão gráfica e de desenvolvimento a profissionais. Ainda não decidi se o vou fazer também em relação às redes sociais.

Portanto, aproveitem bem as férias para quem as tiver. E já agora leiam um pouco. Não custa nada e fica sempre bem a acompanhar o mar, a areia, o sol ou mesmo o campo.

Até daqui a algum tempo (depois da pausa, o substantivo feminino que é sinónimo de uma breve interrupção).
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Entrevista no jardim.

«Nós temos uma relação algo curiosa com o que fazemos. Julgamos sempre que é de qualidade inferior. O que nos chega de fora exerce um grande fascínio sobre o consumidor. Resta a esperança que, à semelhança da transformação que tem vindo a ocorrer noutros setores da cultura, o mesmo se venha a suceder com a literatura nacional.»

Nova entrevista, desta feita ao blogue
Jardim de Mil Histórias. Por Isaura Pereira.

Jardim de Mil Histórias - O Nuno é formado em Matemática. Como surgiu esta paixão pela escrita e por contar histórias?


Nuno Nepomuceno - Iniciou-se com a leitura. Por influência da minha mãe, que sempre me incentivou a isso, acabei por crescer acompanhado por livros. Os meus gostos foram evoluindo com a idade, claro. Recordo-me de ler coleções como Os Cinco, Os Hardy ou Uma Aventura, que me eram oferecidas pelo Natal ou que ia requisitar à biblioteca municipal. Gostava bastante de o fazer, de andar pela rua com os livros na mão enquanto ia e vinha.
Depois, quando passei a ser financeiramente independente, é que comecei a investir mais noutros géneros, como os
thrillers. Houve um momento a partir do qual, que não sou capaz de precisar com exatidão, em que comecei a sentir curiosidade sobre como seria estar do outro lado, ou seja, ter o poder de criar e manipular as personagens, entrando, assim, no imaginário do leitor. Hoje em dia é isso que me motiva mais — a possibilidade de suscitar emoções em que lê o meu trabalho.

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J.M.H. - A trilogia “Freelancer” teve um grande impacto nos leitores. Foi com a primeira parte, “O Espião Português”, que ganhou, em 2012, o Prémio Literário Note!. Estava à espera desse reconhecimento?

N. N. -
Eu já publiquei quatro livros e quer o processo, como os resultados que obtive, foram diferentes em todos eles. É difícil dizer se eu esperava ganhar um prémio revelação ou se aquele livro que eu tinha escrito durante oito anos se tornaria num sucesso comercial. Quando concorri, quis acreditar que sim, e quando O Espião Português foi colocado à venda, desejei-lhe o melhor. Mas nunca se sabe muito bem o que vai acontecer. O mercado livreiro não é tão previsível quanto possamos pensar e, por vezes, há surpresas, sejam elas boas ou más. Eu limito-me a ser otimista.



J. M. H. -  O seu mais recente livro “A Célula Adormecida” desperta-nos para uma hipótese de ataque terrorista em Lisboa. Hoje em dia é uma hipótese bem real. O que pretendeu com esta história?


N. N. - Tive dois objetivos, essencialmente. O primeiro foi provocar uma mudança na minha carreira. A trilogia Freelancer acabou por deixar uma marca algo inesperada, sobretudo, devido ao carisma do protagonista, e eu quis distanciar-me de tal, ou seja, mostrar ao meu público que sou um escritor com mais do que uma dimensão e, através disso, cativar outros leitores. Daí A Célula Adormecida ser um romance bem mais negro do que os anteriores que publiquei, assumindo-se claramente com um thriller psicológico e não tanto como um policial.

Por outro lado, desejava abordar um tema que julgo ser importante e que, infelizmente, começa a fazer parte da nossa vida diária. Os grupos terroristas têm muitas nuances, estando, por vezes, associados as outros fenómenos de forma mais ou menos direta. Foi assim também que surgiu a ideia de abordar temas fraturantes da nossa sociedade, que com o livro desejei colocar sob reflexão. Refiro-me aos movimentos migratórios, à instabilidade no Médio Oriente, ao extremismo e radicalização da Europa, entre outros. A mensagem final que tentei transmitir foi a de tolerância. Espero que tenha chegado aos leitores.


J. M. H. - Nota-se nos seus livros um grande rigor factual, histórico e social. Faz algum trabalho de investigação prévia?

N. N. - Sim, é algo que comecei a trabalhar logo com O Espião Português, mas que tem ganho preponderância em todo o meu processo criativo com o passar dos anos. Procuro ler sobre os temas que quero abordar, visitar os locais que escolho para a ação dos livros, entrevistar especialistas ou até mesmo viver parte daquilo que desejo descrever. Por exemplo, assisti a alguns serviços religiosos na Mesquita Central de Lisboa durante o ano em que dediquei à redação de A Célula Adormecida. E isso acabou por ser muito importante para mim, pois, enquanto estava lá sentado a observar em silêncio as pessoas que rezavam, as ideias iam surgindo naturalmente.

J. M. H. - Quais as suas grandes referências enquanto escritor?


N. N. - Em termos técnicos, não tenho ninguém. A escrita não é estanque e há certas formas de o fazer que aprecio e outras que nem por isso. Procuro escrever aquilo com me sinto confortável, incluindo as opções criativas que tomo, não embarcando em modas ou fórmulas que se dizem ser extremamente vendáveis na atualidade. Fora isso, há autores cuja carreira vejo como um exemplo e cujos livros me dão bastante prazer. Posso citar os casos de Ken Follet e Daniel Silva, se bem que existam outros. Já li excelentes obras fora do registo policial.


J. M. H. - Em que é se inspira para escrever?

N. N. - É um processo misto. Tanto pode vir de uma fotografia, como aconteceu com A Espia do Oriente, ou através de uma canção, como foi o caso de A Hora Solene. Ou até um livro, no caso do conto « A Cidade», com o qual integrei a coletânea Desassossego da Liberdade. Mas tento manter um espírito aberto e ser recetivo a novos elementos. Por vezes, as melhores ideias surgem de forma inesperada. De repente, estou a escrever e é como se os dedos tivessem vida própria. Há uma frase que surge sem ser planeada e que muda tudo.

J. M. H. - Ouvimos muitas vezes os autores afirmarem que o processo de escrita concentra-se em 90% de trabalho e 10% de talento. Concorda?

N. N. - Eu gosto de pensar que tenho algum talento. Se assim não fosse, não iria escrever, pois foi a vontade de mostrar aos outros o que considero ser capaz de fazer que me levou a começar, independentemente do muito ou pouco sucesso que viesse a ter. Mas tudo requer imenso trabalho e quando começamos um livro é bom que estejamos cientes de que não vai ser fácil. Se a memória não me falha, nunca escrevi um capítulo à primeira. Chego a revê-los quatro e cinco vezes e até a reescrevê-los constantemente ou mesmo deitá-los fora.



J. M. H. - Sente de alguma forma que a literatura portuguesa não é tão valorizada face à literatura internacional?
N. N. - Existe algum desfavorecimento, sim, mas que penso ter-se atenuado nos últimos tempos. Há autores portugueses que vendem mais em alturas muito críticas, como o Natal, do que os escritores estrangeiros. Espero que seja uma situação que tenda a continuar a evoluir de forma positiva no futuro. Pelo menos, o passado recente dá-nos alguma esperança nesse sentido. Há alguns anos, a ficção portuguesa debatia-se para competir com a norte-americana ou brasileira e hoje em dia lidera audiências. O mesmo tem vindo a acontecer com a nossa música. Nós temos uma relação algo curiosa com o que fazemos. Julgamos sempre que é de qualidade inferior. O que nos chega de fora exerce um grande fascínio sobre o consumidor. Resta a esperança que, à semelhança da transformação que tem vindo a ocorrer noutros setores da cultura, o mesmo se venha a suceder com a literatura nacional.


J. M. H. - Enquanto leitor o que gosta mais de ler? E o que não gosta de ler?

N. N. - Aprecio essencialmente thrillers e policiais, com algumas incursões felizes pela fantasia e romances históricos, mas ciente de que um bom livro deve ser lido e, portanto, com abertura para as surpresas que poderão surgir. E não tenho nenhum género, formato ou autor que me cause aversão. Ler faz parte da nossa vida. Precisamos de o fazer diariamente.



J. M. H. - Qual o livro da sua vida?

N. N. - Os Pilares da Terra, de Ken Follett, e Os Três Mosqueteiros, de Alexandre Dumas. Adoro as épocas históricas em que decorrem e admiro os autores pelo excelente trabalho que realizaram com os livros. O Estranho Caso do Cão Morto, de Mark Haddon, também é uma obra que me marcou muito, sobretudo, pela forma criativa e sensível com que explorou o tema do autismo.



J. M. H. - Para quem não conhece a sua obra, e no sentido de convencer o nossos leitores a ler os seus livros, qual deles define melhor a sua escrita?

N. N. - Esta é uma pergunta muito difícil. Todos eles são especiais para mim à sua maneira. Os primeiros porque não foi fácil publicá-los, além de terem exigido um esforço considerável para os escrever, já que não possuía qualquer experiência; os últimos porque traduzem melhor a pessoa que sou hoje em dia. Prefiro que sejam os meus leitores a decidir isso.



J. M. H. - Que projetos literários tem para o futuro?

N. N. - Neste momento, encontro-me a trabalhar em mais um thriller psicológico, que, apesar de ter alguns pontos de contacto com A Célula Adormecida, não será sobre terrorismo, embora envolva de novo uma grande dimensão cultural e religiosa, além de outros elementos que são transversais ao meu trabalho, como aventura, romance, espionagem e alguma ação.
Estou numa fase importante do livro, mas algo embrionária, ainda, razão pela qual não sei quando será publicado. Prefiro levar o meu tempo e regressar quando me sentir preparado, quando tiver a certeza de que este é o meu melhor livro até ao momento.


J. M. H. - Nuno, muito obrigada por esta entrevista.

N. N. - Eu é agradeço a oportunidade e convido todos os leitores a continuarem a passear pelas mil histórias do seu jardim.

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O Espião Português, por Isaura Pereira.

Opinião a O Espião Português, por Isaura Pereira, autora do blogue Jardim de Mil Histórias.

«Uma das muitas coisas boas que esta comunidade me trouxe foi ter a oportunidade de conhecer novos autores internacionais, mas também nacionais. Fico muito feliz por saber que a literatura portuguesa está no bom caminho e recomenda-se.

O Nuno é um bom exemplo disso. Depois de ter lido
A Célula Adormecida fiquei cheia de curiosidade de ler esta trilogia. E o Nuno teve a gentileza de me enviar exemplares para poder conhecer esta história e dar opinião no blogue.

Li-o de uma forma quase compulsiva. Este é o tipo de história e de escrita que gosto. Uma leitura agradável, com ritmo e, sobretudo, muito bem escrita. Nota-se o cuidado do autor na forma como dá rumo à história e na construção das personagens. 

Um livro que nos permite viajar por alguns locais da Europa que eu tanto gosto. Uma leitura perfeita para dias mais agitados e para o verão. Escusado será dizer que estou ansiosa para voltar a esta história com o próximo volume
A Espia do Oriente

Recomendo a todos. Não só aos que gostam de bons thrillers

Isaura Pereira
jardimdemilhistorias.blogspot.pt

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A Hora Solene, por Tita Rodrigues.

Opinião a A Hora Solene, por Tita Rodrigues, O Prazer das Coisas.

Desde que tinha terminado o segundo volume - A Espia do Oriente - que estava muito curiosa para saber como o Nuno Nepomuceno iria concluir a história de André. Por outro lado, tinha alguma pena de me despedir de André, Anna e até do Kimi, daí ter esperado um pouquinho para o ler. Mas, lá está, a curiosidade era muita, pois o final de A Espia do Oriente deixa-nos muito, mas muito ansiosos.

Mais uma vez, nota-se uma evolução na escrita do Nuno, muito cuidada e acessível, e um bom ritmo, quer de ação mas principalmente de suspense. O Nuno conseguiu criar uma história bem equilibrada, com mistério, suspense, ação, mas também com um toque de romance. Outro ponto forte é a descrição dos locais e dos acontecimentos, tão vívidas, mas sem serem maçudas, e que tornam toda a leitura muito visual.

Gostei muito do modo como o Nuno nos deixa na expectativa, durante um ou dois capítulos, com acontecimentos marcantes, como acontece logo no início do livro, onde ficamos logo muito ansiosos.

Em termos de personagens, e apesar de simpatizar muito com o André, a minha preferida é Anna, e devo dizer que senti um pouco falta do protagonismo que encontrei em
A Espia do Oriente. Sim, a ação vai "saltitando" entre André, Anna e até Elena, mas achei Anna algo mais "apagada" (mas lá está, talvez seja impressão minha, por ser precisamente a minha personagem preferida). Uma outra personagem que gosto e que gostaria de ter tido mais protagonismo, é Anssi, pois acredito que tenha muitos conflitos interiores.

Uma excelente trilogia de espionagem, muito bem escrita e, ainda por cima, de um autor português. Um autor que é um querido e simpatiquíssimo para todos os seus leitores, com um carinho muito especial pelos
bloggers.

Por isso, se ainda não leram a Trilogia
Freelancer do Nuno Nepomuceno, do que é que vocês estão à espera? Leiam pois acredito que não se irão arrepender, pois foram três livros que me proporcionaram horas de leituras muito prazerosas, com personagens que me irão acompanhar.


Tita Rodrigues
o-prazer-das-coisas.blogspot.pt

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Socorro, sou dono de um labrador!

Escrevo esta entrada com o queixo dorido e o nariz ferido. Tirei alguns dias para descansar e fui à praia numa destas tardes. Quando cheguei a casa, o meu labrador de dez meses resolveu saudar-me de uma forma bastante peculiar. Encontrava-se à minha espera, ordeiramente sentado à porta de sacada da sala, muito compenetrado, a ver quando é que eu tinha a ousadia de me aproximar. E assim foi. Abri a janela e baixei-me para lhe fazer uma festa. Não sei porque é que todos nós temos esta tendência, a de lhes afagar a cabeça e brincar com as orelhas, mas julgo cada vez mais que se trata de uma arma escondida que os cães reservam para momentos especiais, como o que descrevo a seguir, em que resolvem demonstrar toda a felicidade que sentem ao ver-nos chegar a casa depois de algumas horas de ausência. Baixei-me, de mão esticada repleta de ternura em direção ao canídeo, e fui cumprimentado por uma valente cabeçada no queixo. Ainda estava a recuperar do golpe e eis que ele me atingiu com um poderoso gancho de esquerda, dando-me uma pantufada no focinho.

Tem sido árdua, a tarefa de educar este jovem labrador. Logo eu, que gosto tanto tanto de ordem e sossego. Vivo numa vivenda fora da cidade com um pequeno jardim, que resolvi partilhar com o senhor cachorro. Acordo de manhã e deparo-me com a rega gota a gota desfeita em fanicos. É o meu novo
hobby, pacientemente voltar a ligar os tubos todos os dias. Não é que eu me queixe. Ele até se senta, dá a pata, rebola, mas, sobretudo, pula. Salta e pula como se tivesse molas nos pés, correndo atrás de mim, agarrando-se às minhas pernas, só para eu ficar a brincar mais um pouco com ele. Meu Deus, alguém dê um xanax ao cão, que ele faz aquilo que quer de mim.

Um destes dias, levei-o a passear à rua, coisa a que tenho procurado habituá-lo. Disseram-me que é saudável, tanto para ele, como para mim. Logo eu, que ultimamente, o único desporto que tenho disponibilidade para praticar é o do levantamento do garfo. Mas pronto, lá fui eu, de trela na mão, com o senhor cachorro muito direito, a
snifar tudo o que era flor, a mijar em todos os sítios e mais alguns. A sério, será que aquela bexiga não tem fim?

Entretanto, apareceu um casal de vizinhos com o filho pequeno pela mão. «Oh, que lindo», disse a mãe. «O gajo está mesmo giro», acrescentou o pai. «Olha, Pedro, faz-lhe uma festinha.» Orgulhoso do meu rapaz, cândido, lá resolvi aceder e aproximei-me com cuidado, o cão bem preso pela trela. Não é muito boa política agredir as crianças dos vizinhos. E de facto, confirmou-se. O Kimi começou a saltar, o puto assustou-se, e eu acabei no chão, estirado sobre o alcatrão, enrolado na trela do senhor labrador, que, ainda por cima, teve o desplante de se deitar ao meu lado, enquanto abanava o rabo em frente à minha cara e punha a língua de fora. Digo-vos, não é uma coisa agradável, o bafo de um cão deste tamanho.

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A Hora Solene, por Ana Beatriz.

Opinião a A Hora Solene, por Ana Beatriz, Dream Pages.

«A trilogia
Freelancer conquistou-me inteiramente com o primeiro volume, "O Espião Português". E, depois, li o segundo livro, "A Espia do Oriente", que, apesar das já elevadas expetativas, ainda me conseguiu surpreender. Podem, portanto, imaginar a vontade que tinha de ler "A Hora Solene" e descobrir o que mais poderia o autor fazer para me deixar boquiaberta, principalmente depois do final do segundo volume, que foi totalmente... inesperado. 

Estamos em Londres, numa fria noite de tempestade, e um homem é esfaqueado e abandonado à sua sorte em plena rua. Se isto, por si só, não fosse já surpreendente, ao mesmo tempo, um homem da associação terrorista O Gótico entrega-se voluntariamente, um avião sofre um atentado e é divulgado um vídeo que promete manter o mundo em suspenso durante alguns meses. Se fosse um outro livro, de um outro autor, poderíamos pensar que estes acontecimentos nada tinham em comum... mas não com o Nuno! Todos estes estranhos episódios estão, na verdade, conectados, e o elemento central é André Marques-Smith, funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros Português e agente da Cadmo.

Mais uma vez, temos em paralelo a vida quotidiana do protagonista - o trabalho no Ministério, a convivência com os pais e com a irmã mais nova, as peripécias do seu cão - e a sua vida dupla, como agente da Cadmo, num mundo de espionagem em que nem tudo é o que parece, e em que nem sempre é simples aferir quem são os aliados e quem são os inimigos.

À semelhança dos livros anteriores, temos também capítulos que narram as linhas de ação de outras personagens, bem como toda a contextualização necessária para que não seja preciso reler segmentos dos primeiros volumes para entender o que está a acontecer. Neste livro, em particular, há ainda espaço para algumas reflexões sobre a ética, a família, o amor, a importância da vida humana e os valores implicados no campo científico. Gostei especialmente das questões éticas subjacentes ao uso da manipulação genética tendo em vista o aperfeiçoamento do ser humano.

De livro para livro, a evolução do autor é notável. Tudo nesta trilogia está tão magnificamente pensado, que é impossível não nos admirarmos com os pequenos detalhes que marcam a diferença. Como tenho vindo a referir, a escrita do Nuno é especial e agarra o leitor de tal forma que a leitura adquire um ritmo frenético, tornando-se compulsiva ao ponto de ser necessário um grande esforço para pousar o livro. Consegue transmitir as emoções das personagens para o leitor, conjugando tudo de forma tão maravilhosa que, quem lê, acaba por sentir-se realmente parte da história, de tão envolto que está neste mundo de intrigas e traições.

E o final é, mais uma vez, fantástico, embora desta vez de uma forma mais positiva (felizmente!). Nota-se a preocupação do autor em fechar todas as pontas soltas, pelo que encontramos respostas para todos os mistérios levantados ao longo dos primeiros livros.  O Nuno é o perfeito exemplo de que também temos escritores incríveis no nosso país, pelo que deveríamos apostar e dar mais apoio aos autores portugueses. Quero ainda agradecer-lhe pelas amáveis palavras endereçadas, tanto a mim como a vários outros
bloggers e youtubers, nos agradecimentos, bem como pela oportunidade de ler estes livros extraordinários.
"A Hora Solene" encerra com chave de ouro a Trilogia
Freelancer, onde dizemos adeus a um André mais forte, mais maduro e mais seguro de si. Em suma, esta é uma trilogia tão excecional que se torna difícil para mim falar sobre ela, pois sinto sempre que as palavras não chegam. Por isso, só vos peço: leiam! Tenho a certeza de que não se irão arrepender!»


Ana Beatriz
dream---pages.blogspot.pt

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A Célula Adormecida, por Vanessa Santos.

Opinião a A Célula Adormecida, por Vanessa Santos, Livros de Vidro.


«Devemos salientar o estudo do autor.
Epá Nuno, - permitam-nos a expressão - que estudo. Nota-se claramente um bom suporte, uma limpeza na matéria, um filtro, uma explicação, uma exposição sem, no entanto, ser em demasia, sem ser maçador. Devemos até dizer que nos permitiu conhecer mais sobre o assunto, afastando-nos do empolamento das redes sociais, dos media, da opinião pública, à semelhança dos anteriores livros. Mais uma vez o autor traz um trabalho bem conseguido em termos de estudo e estrutura. O que muito nos deixa felizes por ver autores portugueses com tamanha qualidade.
 
Já sabem que não falamos da história em si, não é para isso que aqui estamos. Mas apenas vos fazemos chegar a nossa perspetiva quanto ao que lemos. E, bem, para quem acha que está diante de mais um romance, de mais do mesmo, de "finais felizes", esqueçam!
 
Nuno traz a verdade dos atentados terroristas, habilmente nos transporta para o mundo muçulmano, para as suas crenças e mais uma vez temos um livro com Acão. Uma e outra vez demos por nós a pensar "não pode ser, outra vez"? Pois é, não sabem o que vos espera ao ler este livro. Não esperem bombas a rebentar por todos os lados, porque não, não se trata "só" disso, há toda uma dimensão que o autor vai buscar que torna o livro mais rico. Viajamos muito além das bombas e conspirações.
 
Em certa medida poderá ser chocante, não que descreva cenas horríveis, mas porque descreve cenas que são reais e que não podemos virar a página e pensar "só nos livros". Porque não, acontece. Incomoda, mas acontece.
 
Não se trata apenas de um livro de ficção, romance, policial, enfim, o que lhe queiram chamar. Trata-se de um "abre olhos". Um safanão que nos dá.
 
Mas, também temos de analisar a parte "restante" toda a trama, além do tema em si.
 
Pois bem, há algo que já na altura da trilogia nos fez confusão, mas não mencionámos porque podia ser mania nossa, mas desta vez temos de dizer, os nomes das personagens são muito, demasiado, pomposos. Até custa a crer que alguém os use assim constantemente. Não simpatizámos com os nomes dos personagens, os portugueses. Bastava, ao longo do texto, pelo menos para as principais, ir usando o primeiro nome, tornava tudo mais pessoal com o leitor. Fica o nosso apontamento.
 

Depois temos o personagem principal, Afonso Catalão, bem, não criámos empatia com ele. Talvez por ter uma carga negativa sobre ele, por parecer sempre cabisbaixo, sim é assim que o vemos, magro, ligeiramente curvado, com olheiras, expressão fechada. Embora ao longo da trama se perceba tudo o que o envolve pensamos que faltava ali qualquer coisa que nos fizesse ligar ao personagem. Faltou o elemento empático, mas até podia ser essa a intenção do autor.
 
Mas não pensem que isso vos faz largar o livro. Porque não. Há demasiadas coisas a acontecer que, no fim, se ligam com uma perfeição que parece impossível.»
 
 
Classificação:
 
- Escrita: 10
- História: 9,7
- Revisão do texto: 9,8
- Complexidade: 9
- Trabalho gráfico: 7
 
Total: 9,1
 
0 - Péssimo
1 a 3- Muito Mau
4 a 5- Mau
6 a 7- Satisfatório
8- Bom
9 - Muito Bom
10 - Excelente!


A Célula Adormecida
Vanessa Santos
livrosdevidro.wixsite.com

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A Espia do Oriente, por Ana Beatriz.

Opinião a A Espia do Oriente, por Ana Beatriz, Dream Pages.

Depois de um primeiro volume absolutamente fantástico, parti para este segundo livro com expectativas elevadíssimas, mas também com algum receio de estar a colocar demasiada pressão sobre esta leitura. Contudo, o autor construiu a ação de uma forma tão excecionalmente fantástica, que ainda me conseguiu surpreender!

Como o nome indica, este volume divide a atenção entre André - o nosso espião favorito e protagonista de
O Espião Português - e China Girl - uma personagem misteriosa que conhecemos ainda no primeiro volume, mas que ganha relevante destaque nesta segunda parte. Ao longo do livro, vamos desvendando a sua história, os seus motivos e motivações, as adversidades e os obstáculos que a vida lhe impingiu e que a tornaram na pessoa que é hoje.

As revelações chocantes que marcaram o final do primeiro livro tomam continuidade em
A Espia do Oriente, mas a ação é agora dividida em vários planos. Revemos o André, que está a tentar lidar com a sua nova condição, mas que não consegue perdoar os pais por lhe terem mentido durante toda a sua vida; a misteriosa China Girl, que talvez não seja bem o que parece; e depois temos os membros da Dark Star, a organização terrorista que pretende apropriar-se do projeto Lebodin - um projeto de manipulação genética criado por um cientista russo.

A evolução do autor é notória em todos os aspetos: no amadurecimento da escrita, na construção e no contexto das personagens, nas reviravoltas surpreendentes e nas revelações, feitas exatamente no momento certo e, acima de tudo, no suspense magistralmente conseguido. O livro é muito rico nas descrições físicas e psicológicas, realizadas na perfeição, que têm a capacidade de envolver o leitor no clima vivido pelas diversas personagens. Os diferentes planos de ação cruzam-se e interligam-se complexamente, criando uma ação interessante e viciante, e levando o leitor a temer constantemente pela vida das personagens. Além disso, o Nuno consegue transmitir realmente os sentimentos e as emoções experienciadas pelas diversas personagens, o que acaba por ser bastante engraçado, pois, por diversas vezes, dei por mim realmente revoltada com algumas situações, como se estas tivessem acontecido comigo.

Enquanto que o primeiro livro tinha um caráter mais policial, este segundo assemelha-se já a um thriller, o que pode tornar a ação um pouco mais lenta, mas, em contrapartida, consegue mexer mais com a cabeça do leitor. E isso acontece, de facto, à medida que vamos mergulhando nas maravilhosamente entrelaçadas teias de acontecimentos que compõem esta trilogia e vamos descobrindo o passado ao acompanharmos o presente das personagens.

 E, quando pensamos que não é possível voltarmos a ser apanhados de surpresa - depois de tantas coisas fantásticas terem acontecido, é normal pensarmos isso -, eis que nos é provado exatamente o contrário! A verdade é que nem tenho palavras para descrever o final! É um desfecho tão inesperado, arriscado e surpreendente, que deixa o leitor completamente em suspenso, num misto de ânsia, pânico e excitação, temendo pelo que mais poderá acontecer.

A Espia do Oriente continua uma trilogia simplesmente maravilhosa e cativante, com personagens muito reais e complexas, e com uma história que agarra completamente desde o primeiro capítulo. Com ingredientes de um bom thriller - muito perigo, mistério e ação -, aliados à narrativa da vida familiar e das relações interpessoais, esta é uma história com grande consistência que, se não bastasse prender-nos completamente e mexer connosco a um nível bastante profundo, ainda nos leva a visitar interessantes monumentos e sítios emblemáticos de vários países. A única coisa que posso dizer é que, realmente, adorei e recomendo a toda a gente!


A Espia do Oriente
Ana Beatriz
dream---pages.blogspot.pt

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Palestra adiada.

É com alguma deceção que escrevo esta entrada. Recebi hoje, terça-feira, dia 16 de maio, informação por parte da Universidade Lusófona que a minha palestra agendada para a próxima quinta-feira, dia 18, teria de ser adiada. A decisão não foi minha, tal como acabei de explicar, pois tinha tudo a postos para me apresentar, mas sim devido ao calendário da faculdade, que organizará um congresso internacional na próxima semana, seguindo-se as jornadas do cristianismo no início de junho.

A Universidade Lusófona comprometeu-se a reagendar a minha palestra para o próximo ano letivo, em data a anunciar depois do verão. Peço desculpa a quem já tinha feito planos para comparecer, mas, tal como escrevi no primeiro parágrafo, não sou responsável pelo adiamento. Terá de ficar para outra oportunidade.

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O senhor orador.

Já antes aqui tinha escrito sobre ela, mas agora, que se avizinha, está na altura de relembrar que irei dar uma palestra na Universidade Lusófona no próximo dia 18 de maio, às 18h30m.

O tema será a tolerância e convivência inter-religiosas, com algum espaço para discutirmos
A Célula Adormecida no fim. Estive em algumas escolas durante o ano de 2016, onde apresentei a trilogia Freelancer aos alunos, mas desta vez o conceito será algo diferente. Irei abordar o tema durante cerca de 20 a 30 minutos, seguindo-se dois vídeos: um excerto de uma entrevista concedida pelo Sheikh Munir à RTP e a que eu dei à Sic Notícias. Os momentos finais serão para uma sessão de perguntas e respostas. Como o Islão ocupará parte de palestra, espero que me coloquem bastantes questões.

Portanto, quem desejar comparecer, será, obviamente, bem-vindo. Termino a entrada com o cartaz produzido pelo Instituto de Cristianismo Contemporâneo da Universidade Lusófona e uma fotografia da apresentação que levarei à palestra. Desejem-me (boa) sorte. Happy

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A Espia do Oriente, por Tita Rodrigues.

Opinião a A Espia do Oriente, por Tita Rodrigues, O Prazer das Coisas.

Este é o segundo livro da trilogia Freelancer, mas que pode ser lido de forma independente, pois, sempre que é necessário, o Nuno faz vários enquadramentos/resumos dos acontecimentos de O Espião Português. De qualquer modo, e como leitora, recomendo que leiam os livros por ordem e assim vivam mais intensamente a vida de André Marques-Smith, funcionário do MNE e espião ao serviço da Cadmo.

E ao contrário do primeiro livro, mais centrado na vida de André, em
A Espia do Oriente vamos conhecendo melhor a vida e passado de China Girl, a misteriosa espia da Dark Star, mas também Monique.

Se já tinha gostado bastante do primeiro livro, este segundo deixou-me completamente colada. Temos várias histórias no enredo que captam a nossa atenção, tornando-o ainda mais rico, sempre com uma boa dose de perigo e ritmo e sempre com aquela sensação de "em quem confiar?".

As personagens são outra mais-valia do livro. O Nuno torna-as tão humanas e reais, com os seus medos, inseguranças, sentimentos. Se já tinha gostado do André, posso-vos dizer que China Girl não lhe fica mesmo nada atrás, mas prefiro que sejam vocês a descobrir mais sobre esta mulher.

Nota-se também uma clara evolução do Nuno enquanto escritor. Não só pelo enredo mais denso e com mais pontos de interesse, mas também pela própria escrita, que está ainda melhor, com parágrafos mais longos e descrições mais envolventes e ricas. Digo-vos, o Nuno escreve mesmo muito bem!

E não pensem que neste livro só temos ação e mais ação; cenas com ritmo alucinante. Temos também algumas mais leves e pautadas com uma boa dose de humor, nomeadamente com uma personagem algo peculiar, a Diva Winking

E o final? Absolutamente fabuloso e que nos deixa completamente ansiosos por pegar no último volume. E acreditem, não vai demorar muito tempo a pegar n'
A Hora Solene, pois estou muito mas muito curiosa para conhecer o desfecho desta magnifica história.

Tal como os outros dois livros que li do Nuno (
A Célula Adormecida e O Espião Português), este foi mais uma leitura compulsiva, que me deixou sempre agarrada ao livro e sempre que terminava um capítulo pensava "só mais um".


Tita Rodrigues
o-prazer-das-coisas.blogspot.pt

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