Não me compete a mim dizê-lo se de facto o é ou não, mas apenas assegurar que coloquei todo o meu empenho para que assim o venha a ser. Tento melhorar de livro para livro, identificar o que não fiz tão bem anteriormente e assim, com base na experiência adquirida, regressar com mais qualidade.

A Célula Adormecida é, a meu ver, um livro muito diferente de qualquer um dos que integram a trilogia Freelancer. Notar-se-á mais à frente, depois de lidas as primeiras páginas, na altura em que se entra na história em si, ou seja, nos 30 dias do mês islâmico do Ramadão. Trata-se essencialmente de um thrillerpsicológico, embora também possa ser considerado um thriller político, um thriller religioso ou até mesmo um thriller de ação. E há ainda a componente de espionagem, que, contraposta a um tema tão atual, aparece polida e mais clássica.

O grande chamariz é, à primeira vista, o panorama criado. Infelizmente, todos temos assistido aos recentes atentados reivindicados pelo autoproclamado Estado Islâmico através dos relatos que nos chegam sob a forma das palavras dos jornalistas. E perante tal cenário, quem não se perguntou já: «E se acontecer em Portugal»?

Digo-vos que sim, que acontece, mas que a minha visão sobre esta premissa difere um pouco do que poderão ser as aparências iniciais. A Célula Adormecidatenta ir mais além, abordar questões mais abrangentes, chegar a um público mais alargado e fazê-lo repensar alguns dados adquiridos. Não me vou pronunciar sobre o enredo. Estou orgulhoso dele, das ligações que estabelece com alguns acontecimentos verídicos (e não, não me estou a referir aos atentados na Europa), e da forma como as personagens foram construídas. Há um protagonista claro. Mas este surge rodeado de personagens igualmente fortes e densas. Há uma intriga principal. Mas esta contém ramificações que vos desafio a desvendar. E há uma criança especial.

É algo ingrato escrever algo sobre um livro nosso. Não somos propriamente imparciais. Tive de lutar imenso para chegar até hoje, dia 26 de outubro, aquele que marca a chegada às livrarias. Os meus vícios, a preguiça, o tema difícil e controverso, a pesquisa e, claro, o tempo, ai o tempo, todos eles me fizeram uma grande oposição. Neste momento, A Célula Adormecida tanto pode ter uma entrada retumbante nas lojas, como ser um autêntico flop. Com uma trilogia pelas costas e todo o «drama grego» que a envolveu, adquiri experiência suficiente para ter essa perceção. É impossível saber como o público irá reagir. As expectativas, à semelhança do passado, são as melhores. O futuro, esse, encontra-se noutras mãos. São as daqueles que lhes irão tocar nas folhas.

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Durante o inverno, aquando da pesquisa para A Célula Adormecida.

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O dia das primeiras palavras.

 

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