Trinta e dois dias depois.

Acariciei a capa e um sorriso contido esboçou-se no meu rosto. Sentia o fumo a subir através dos meus dedos, entrelaçando-se nas letras que formam o título, e toquei no verniz. Não sei ler braille, mas foi como se fosse capaz de fazê-lo. As letras desenhavam-se sozinhas debaixo das minhas mãos, ganhando forma, transformando-se, unas, em duas palavras — Pecados Santos.

Respirei fundo e tentei evitar um ligeiro descair dos ombros. Encontrava-me na editora e perguntaram-me se estava tudo bem. O meu novo livro nascera, o design era lindíssimo e o fogo que ardia na capa reluzia sob o sol que entrava através dos vidros das janelas. Respondi que sim, que estava. Aquele era o meu quinto livro e talvez por isso, eu sabia de antemão o que me esperava.

Pecados Santos foi disponibilizado a 19 de janeiro de 2018, na mesma semana que quatro outros thrillers, todos eles estrangeiros. Um desses livros chegou ao nosso país com rótulos como «bestseller» ou «genial obra de estreia». O meu editor, num laivo de boa disposição, ironizou quando falei no assunto. «Parece que estavam todos a guardar-se para a mesma altura», disse ele, a propósito de termos conscientemente evitado o Natal, evitando competir com alguns dos nomes mais sonantes que foram anunciados para essa altura. Ao que eu respondi, com uma gargalhada: «Tanto escolhemos, que aterrámos em cheio na pior semana».

Poderei ter exagerado um pouco, admito-o, hoje, quando escrevo este texto. O meu quinto livro foi publicado numa semana extremamente difícil, mas revelou-se bastante competitivo, rivalizando com coragem com os restantes títulos que lhe têm feito companhia. Pela primeira vez, posso escrever ser um top 10 nacional. Pecados Santos alcançou tal feito na WOOK e na rede de livrarias Bertrand, algo que, há cinco anos, quando lancei O Espião Português, parecia completamente inalcançável.

Mais do que isso, o livro acaba por ser marcado por uma mudança profunda. Nem tudo tem sido fácil, nomeadamente no que concerne ao meu site oficial, que tarda em ser concluído, mas as novas fotografias que surgiram, além das próprias inovações narrativas que introduzi, creio terem deixado uma marca. Alterações essas que têm produzido resultados. Não só tenho conhecido novos leitores, que resolveram procurar o meu antigo trabalho, como a minha relação com a imprensa tem sido ligeiramente mais fácil. De facto, até esta data, foram várias as iniciativas que têm ajudado a levar Pecados Santos a um público cada vez mais alargado.

São exemplos o artigo de fundo escrito por Joana Petiz na edição de fim de semana do Diário de Notícias;

https://www.dn.pt/artes/interior/ninguem-em-portugal-deve-poder-dizer-que-vive-so-dos-livros-9078262.html

a entrevista que concedi a Paulo Nogueira na Edição da Manhã da SIC Notícias;

ou a peça intimista que realizei em conjunto com a WOOK.

 

É demasiado cedo para fazer um balanço. O primeiro mês da vida de um livro significa muito, mas não é tudo. Um ano depois, sei, hoje, que A Célula Adormecida, o livro que publiquei em 2016, foi um marco na minha carreira, coisa da qual não tive noção na altura. Abriram-se portas meses depois que antes estiveram sempre fechadas.

O futuro dirá o que Pecados Santos reserva para mim.

 

 

2 Comentários

  • Paulo Pires Publicado 20 de Fevereiro de 2018 17:52

    O bom e árduo trabalho dá frutos … Abraço

    • Nuno Nepomuceno Publicado 22 de Fevereiro de 2018 19:05

      Olá, Paulo.

      Obrigado. É verdade. Não podemos perder a coragem. No fim, tudo irá correr pelo melhor.

      Um grande abraço e a melhor das sortes para os seus projetos.

      Nuno.

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