Personagens muito bem construídas e estruturadas

«Nota-se nitidamente que houve uma pesquisa profunda da parte do autor sobre os temas religiosos e conflitos no Médio Oriente, uma vez que este livro foi inspirado nos Dez Mandamentos e em algumas histórias do Antigo Testamento, algo que apreciei bastante. A minha enorme curiosidade sobre religiões aconteceu na juventude, em especial, o que fez com que estudasse durante algum tempo a Bíblia e pesquisasse sobre as diversas interpretações que são feitas acerca da mesma, embora não professe nenhuma religião. Por isso, as passagens ou textos mencionados no livro não me eram desconhecidos. Em relação ao Judaísmo e os seus costumes, aprendi coisas que desconhecia completamente, o que foi muito bom.

Para quem não gosta do tema da religião, este livro pode parecer aborrecido, mas posso garantir que não o é de todo. Pelo contrário, está escrito num ritmo acelerado, além de o enredo levar-nos a viajar entre Londres, Lisboa a e Jerusalém. O livro é construído em torno de uma série de homicídios que recriam passagens da Bíblia e a investigação desses crimes faz-se numa corrida contra o tempo, numa tentativa de descortinar quem está por trás dos mesmos e evitar novas mortes. Tudo isto leva-nos a tecer suspeitas e questões à medida que acompanhamos a história, o que torna a leitura em compulsiva.

Aliado a isto, tem ainda algo de que gosto imenso — o enredo transporta-nos entre o presente e o passado, revelando segredos de certas personagens, por sinal muito bem construídas e estruturadas. O autor não se poupou às descrições e detalhes, agarrando-nos com as cenas dos crimes cometidos, todas elas muito gráficas e fortes. Pessoalmente, gosto de cenas macabras e só fiquem mesmo chocada com duas mortes.

Em suma, Pecados Santos está muito bem escrito, cheio de reviravoltas, mistério, suspense, humor e com um final surpreendente. Muito bom. Nota-se a evolução no autor, quer na escrita, como no enredo criado. Está ao nível dos escritores estrangeiros, sem dúvida alguma.»

Pecados Santos, por Odete Silva, Destante.

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