«O que é um sucesso hoje, amanhã caiu no esquecimento.»

Entrevista transcrita do blogue Alma Literária. Por Joana Campos.

Alma Literária (AL): Quando surgiu pela primeira vez a ideia de escrever um livro? Houve algum «clique» que lhe tenha indicado que era isso que queria fazer?

Nuno Nepomuceno (NN): “Não consigo precisar a data com exactidão, mas foi algures a meio da adolescência. Já tinha lido bastante até essa altura, essencialmente livros juvenis, com muito mistério e aventura, como as colecções de Os Cinco, Os Hardy ou Uma Aventura, e comecei a sentir curiosidade em como seria ter a possibilidade de ser eu a decidir o destino das personagens. A minha principal motivação hoje em dia continua a ser essa, isto é, a de a escrita dar-me a possibilidade de criar as minhas histórias e assim interagir com o imaginário do leitor.”

AL: Qual a reacção dos seus familiares e amigos quando lhes comunicou que queria escrever um livro?

NN: “Não o fiz. Quando souberam que tinha escrito O Espião Português, já o livro estava em processo de edição e com uma data de publicação agendada para dali a dois meses. O meu primeiro livro foi um projecto só meu e que mantive sempre em segredo até ser impossível fazê-lo.”

AL: Como foi conseguir convencer a editora a apostar em si? O que sentiu quando lhe disseram pela primeira vez «Nuno, vamos publicar o seu livro!»?

NN: “O Espião Português foi publicado ao abrigo de um acordo entre o grupo empresarial Sonae, o promotor do Prémio Literário que o livro venceu, a revista Lux Woman e a LeYa, o grupo editorial que se comprometeu a publicar o livro que vencesse o concurso. O processo acabou por ser simples. Como cumpria os requisitos, concorri e soube primeiro que estava nos três finalistas, o que me deixou bastante esperançoso. Foi uma representante da Sonae quem me telefonou a dar os parabéns enquanto vencedor. Reagi com natural alegria, pois o prémio era publicar o livro, algo que ambicionava.”

AL: Qual o motivo pelo qual existe uma discrepância tão grande entre a publicação do primeiro livro da Trilogia Freelancer, O Espião Português, e os restantes dois volumes?

NN: “Quando O Espião Português foi publicado, ainda estava sensivelmente a meio do volume que se seguiu, A Espia do Oriente. Os mais de dois anos que separaram os dois livros devem-se primeiro ao facto de ainda ter levado cerca de um ano a terminar o segundo tomo da trilogia, e depois por ter sido obrigado a recomeçar o processo de novo. O contrato que assinei com o grupo LeYa não era extensível a mais livros e eu tive de voltar a submeter o meu trabalho a outras editoras até chegar a acordo com a Top Books.

AL: Depois da Trilogia Freelancer, seguiu-se “A Célula Adormecida”. Os seus fãs não tiveram muito por que esperar para poder voltar a ler uma obra sua. O que mudou em si para, de repente, podermos esperar ansiosamente pela publicação do próximo livro sem termos de esperar mais de 1 ano, sensivelmente?

NN: “Ganhei ritmo e método de trabalho, essencialmente, aos quais tento manter-me fiel. A experiência traz à-vontade e desenvoltura. Ao fim de cinco livros publicados, sinto que atingi a minha maturidade narrativa e que estou cada vez mais eficiente no trabalho que desenvolvo.”

AL: Vamos passar agora para o seu último livro, “Pecados Santos”. Ainda não tive o prazer de o ler, mas sei com toda a certeza que será tão bom ou melhor que os anteriores. Existiu aqui algum tempo em que o Nuno esteve ausente de tudo o que são redes sociais, e quando surgiu, tudo tinha mudado! Mudou a sua imagem (para melhor, deixe-me dizer-lhe), mudou de editora, e mudou de atitude. Quer falar um pouco sobre isso? Existe algo que queira partilhar connosco?

NN: “A minha ausência das redes sociais esteve relacionada com problemas de saúde, que prefiro manter privados, e com a conclusão de Pecados Santos. Quis passar os últimos dois meses de redacção plenamente concentrado no que estava a escrever. Sentia que devia ser assim, que o livro iria beneficiar disso. As alterações que fiz recentemente começaram a ser planeadas muito tempo antes, tendo sido adiadas até chegar o momento oportuno. Apesar de admitir que mantenho outra carreira em paralelo com a escrita, considero-me neste momento um escritor profissional. O sucesso que os livros têm tido demonstram-no e as mudanças introduzidas procuram adaptar-se a isso mesmo.”

AL: Se bem entendi, o livro Pecados Santos inicia uma saga de 5 livros, correcto? Quer falar um pouco sobre o motivo pelo qual escolheu aqueles títulos para os livros desta saga? Ou os leitores vão entender assim que lerem o primeiro?

NN: “Essa ideia advém de uma crónica que escrevi, na qual admito não me ter expressado correctamente. O que quis dizer foi que Pecados Santos é composto ele próprio por cinco livros, isto é, cinco partes, tal como os cinco livros que compõem a Tora, o livro sagrado do judaísmo, que inspirou os episódios narrados. Quando a Joana ler o livro irá perceber isto. As divisórias são claras e Pecados Santos não é o início ou o meio de uma série. Trata-se somente de um livro que partilha o protagonista com o que publiquei anteriormente.”

AL: Por último, Nuno, qual é a sensação de, de repente, ser um fenómeno a nível nacional e a sua escrita ser comparada a nomes como José Rodrigues dos Santos?

NN: “Não me considero um fenómeno. É verdade que a minha carreira aparenta estar em crescendo, que os meus livros parecem ser cada vez mais populares e lidos por cada vez mais leitores. Mas celebrei recentemente cinco anos de carreira literária, cujos altos e baixos me ensinaram a olhar para o presente com cautela. Vivemos numa sociedade que reage ao imediato. O que é um sucesso hoje, amanhã caiu no esquecimento. Porém, para mim, os livros são intemporais. E é com essa ideia em mente que desejo gerir o futuro da minha carreira.”

Aqui fica a entrevista que fizemos com o Autor Revelação! O Nuno é um querido e disponibilizou-se logo para me conceder uma entrevista. A minha vida é sem dúvida mais preenchida desde que o conheço! Obrigada Nuno!

©Joana Campos, Alma Literária

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