Emocionante e envolvente

«Este novo thriller marca uma viragem na carreira deste escritor. Existiu toda uma nova abordagem na divulgação da escrita de Nuno e parece-nos ter sido feita uma excelente campanha. No entanto, é a qualidade do livro que o está a levar a todos os escaparates e tops de venda.

“Se sofreis castigo, é porque Deus vos trata como filhos.

Qual é o filho a quem o pai não castiga?

Mas, se estais livre de castigo, do qual todos partilham,

então sois bastardos e não filhos.”

As palavras bíblicas pautam os trilhos deste enredo e fazem rodopiar o professor Afonso Catalão e Diana, uma jornalista, entre Londres, Lisboa e Jerusalém, na ânsia de desvendarem a morte, com encenação e proporções santas, de um rabino na Sinagoga de Bevis Marks, para a qual atribuíram um culpado — Jonathan, filho de Judite, uma antiga amiga do professor.

Porém, não julgue que o enredo resumir-se-á a conhecermos os caminhos românticos de um professor charmoso, que, em tempos conturbados, irá ajudar a investigar uma série de crimes no seio da comunidade judaica. Pelo contrário, o leitor terá aulas intensivas sobre a religião e tradição judaicas, de modo a mergulhar no cenário que justifica o enredo. Esta tendência de agregar conhecimento e entretenimento é um traço característico dos livros de Nuno Nepomuceno e este não é exceção.

Se no anterior, A Célula Adormecida, o leitor perdeu-se pelos meandros do terrorismo, do Islão e do Alcorão, desta vez, os crimes são autênticos quadros de sacrifícios bíblicos, a palavra é a da Tora e a comunidade alvo é a judaica. Quem sabe se o autor não nos brindará com um próximo romance dedicado ao Cristianismo, como afirmou numa entrevista. Ou seja, a religião é a causa da maioria dos conflitos vigentes e o autor deseja ajudar a compreender esses fenómenos enquanto brinda o leitor com um livro viciante.

Consegue-o tão bem e de forma tão emocionante e envolvente como qualquer outro escritor de thrillers. Nepomuceno está à altura da maioria dos autores do género e os leitores reconhecem-no por isso.

A leitura de qualquer um dos seus livros pode ser lida em separado, mas até nisso o autor tornou-se brilhante, levantando algumas pontas, aqui e ali, para que o leitor se sinta tentado a ler o anterior. Como eu fiquei, e irei ler em breve, para saber mais dos dissabores na vida de Afonso Catalão. Melhor, há ainda umas piscadelas de olho, com piadas, que o autor faz consigo mesmo. É de génio.»

Cris Rodrigues, Efeito dos Livros.

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