Muito mais do que uma história sobre inveja, ascensão, preconceito e crenças.

A Célula Adormecida – Retirado de oinformador.com.

«Uma grande surpresa foi o que pensei praticamente logo quando iniciei a leitura de A Célula Adormecida! Já tinha o livro em espera há mais de um ano mas o seu volume, perto de seiscentas páginas, fez com que ficasse em espera mais tempo do que o previsto, no entanto quando iniciei a sua leitura logo percebi que foi um erro este tempo de hesitação porque a sua história fez com que o tempo voasse quando tinha o livro em mãos.

Envolvendo ficção e realidade, unindo política nacional com terrorismo através do autoproclamado Estado Islâmico num thriller emparelhado com um bom policial com vários pontos virados para o romance, Nuno Nepomuceno tem em A Célula Adormecida não só uma história mas também umas boas aulas culturais, onde o leitor é conduzido por caminhos informativos sobre determinados meandros políticos, como também um livro onde segue os caminhos bem pesados do terrorismo, debatendo o que pode acontecer com pessoas que conhecemos e que são absorvidas pelo poder de forças maiores que as manipulam e conduzem-nas a executar atentados contra uma sociedade que paga por guerras territoriais e de crenças.

Fazendo-se valorizar por factos e situações reais, o autor criou situações, elaborou estratégias, relatou pormenores que, por vezes, escapam neste tipo de narrativas, vencendo através do ritmo imposto, da surpresa e da expectativa que cria acerca do que irá acontecer ao virar de cada página.

Através de personagens bem-criadas e com consistência, capítulos rápidos e diretos, com boas descrições espaciais e explicativas, um enredo bem trabalhado onde tudo se conjuga, esta é daquelas histórias que de início logo se tenta perceber onde cada ponto se consegue unir ao que se segue. No final, tudo é bem explicado, fazendo o leitor toda uma análise ao longo do que vai lendo sobre as ligações perigosas e comportamentos que são revelados.

Debater um crime no seio da política portuguesa, juntar a imprensa com ânsia de saber mais para serem os primeiros a dar a notícia sobre o crime quase perfeito e ao mesmo tempo viajar pela cultura muçulmana, mostrando a crença em Maomé através das leis do Alcorão; as guerras, os atentados, os crimes, o esquema de angariação, este livro tem tudo, como os olhares que não revelam o interior de cada pessoa, a ambição para se atingirem determinadas fins, as amizades que não revelam a verdade de quem está do outro lado, ou as consequências de um ato que altera milhares de vidas.

A Célula Adormecida é muito mais do que uma história que toca na inveja, ascensão, preconceito e crenças. Esta obra é uma explicação sobre todos estes temas, mostrando as diferenças de cada um, as bases que levam a determinados fins, mostrando como a diferença leva muitas vezes a serem seguidos determinados comportamentos imprevisíveis com base no ódio que se vai criando pela falta de compreensão que está do outro lado.

Um livro recomendado, sem qualquer dúvida, de um autor que ainda vai dar muito que ler aos leitores. Acredito que não tardará para que Nuno Nepomuceno seja considerado como um dos melhores autores do género e que consiga alcançar os tops nacionais de vendas. O mérito já lá está, só falta ganhar alento com o reconhecimento da crítica e dos leitores.»

Ricardo Trindade

O Informador

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