Crónica – O Ódio que Semeias

Também é o título de um livro, uma história real sobre crime e violência narrada pelos olhos de uma jovem de 16 anos, mas, neste caso, trata-se de uma história sobre mim. Nunca falei ou escrevi publicamente sobre o assunto, mas a verdade é que há mais de um ano que tenho tido a minha própria dose de ódio.

Começou com uns comentários. Pecados Santos ainda não tinha sido publicado. Porém, assim que dei a saber a sinopse do livro, como fundia religião com temas «proibidos», que as minhas publicações nas redes sociais começaram a ser salpicados pelo insulto da praxe.

Nunca respondi. Uma amiga aconselhou-me a não o fazer, aludindo ao facto de que as pessoas responsáveis queriam apenas provocar uma discussão pública comigo. Acatei o seu conselho. Acho que a parte mais difícil foi suportar o que aconteceu a seguir: depois dos nomes, veio o joco.

No entanto, apesar de esta situação ainda continuar – todavia, com menos frequência -, algo inusitado, que nunca esperei, deu-se recentemente. Há alguns anos que sou abordado por pessoas (que se protegem atrás de uma conta de e-mail ou um perfil numa rede social) com manuscritos para eu ler. Dizem que gostariam de uma opinião sincera. A minha resposta tem sido sempre a mesma: não. Na semana passada, aconteceu outra vez.

Conseguia escrever uma outra crónica só sobre isto, mas a verdade é simples. Por um lado, não devo aceitar ler material não publicado. O Diabo está sempre à espreita. Por outro, não tenho tempo. O pouco que consigo criar é para dedicar aos meus livros.

Tentei explicar a este rapaz isso mesmo.

Ele não quis ouvir. Pelo contrário, dirigiu-me uma série de insultos, como, por exemplo, inacessível, falso, arrogante e ingrato (perante Deus ou outra entidade, pois assumiu que no passado alguém já tinha lido um manuscrito meu e que agora eu me acho demasiado importante para fazer o mesmo a outra pessoa).

Em poucas palavras, enviou-me mais um pouco de ódio.

Não respondi, como sempre. Silenciosamente, também o odiei mais um pouco.

 

 

 

2 Comentários

  • Margarida Leal Veríssimo Publicado 21 de Fevereiro de 2019 14:04

    A parte negativa da visibilidade pública é estar sujeito a todo o tipo de comentários…alguns agradáveis, outros nem por isso. Mas acredito que serão muitos mais os comentários agradáveis (e verdadeiros), pois o Nuno tem demonstrado não só um grande talento como uma grande humanidade! Que esse ódio seja canalizado para uma qualquer personagem terrífica dos séc. XV!! Boa escrita!

    • Nuno Nepomuceno Publicado 21 de Fevereiro de 2019 21:05

      Muito obrigado, Margarida. Um beijinho. 🙂

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