«Uma aula de arte fantástica.»

A Última Ceia

Por Isabel Caldeira, Manta de Histórias.

«A Última Ceiaé um livro bem diferente do seu antecessor, Pecados Santos. Neste livro o foco é a arte, mais precisamente o fresco de Leonardo da Vinci, Il Cenacolo, mais conhecido por A Última Ceia. Toda a história se centra neste fresco e no roubo das suas cópias. Será que nos vamos deixar enganar?

Nuno traz-nos novas personagens. Sofia Conti, a protagonista feminina da história, e Giancarlo Baresi, o correspondente masculino. São eles o par romântico do livro. Mas há ainda Catherine Waterhouse, curadora, Richard Waterhouse, presidente da Academia Real das Artes de Londres, Arthur Miller, antigo investigador de seguros, e Domenico Montanari, o arcebispo de Milão. Todas estas personagens são fundamentais para a trama criada pelo autor. E há ainda velhos conhecidos, como o professor Catalão, Diana, o pequeno Rodrigo, o imã Yusef e o enigmático POC.

A leitura do livro proporcionou-me uma viagem constante entre Lisboa, Milão e Londres. As duas últimas cidades fervilham sempre com acontecimentos chave para a narrativa. É em Milão que desaparecem as cópias de A Última Ceiae em Londres que se tenta recuperá-las e trazer à ribalta a última réplica, assinada por Giampietrino.

Como é que Afonso Catalão, nosso velho conhecido, entra nesta história? Pois bem, basta dizer que Sofia Conti é uma antiga aluna desta personagem. Gostei de voltar a encontrá-la. Neste livro temos mais revelações acerca do seu passado e um episódio que o marcou para todo o sempre, o mesmo que me fez compreender melhor a personalidade de Afonso e o seu percurso académico.

Quanto à escrita do Nuno, essa continua tão boa como sempre. Oferece-nos viagens constantes durante a leitura. Brinda-nos com capítulos pequenos, sempre com revelações e pistas. As personagens, como sempre, são singulares, com personalidades muito próprias. As pequenas histórias secundárias que vão surgindo são sempre algo misteriosas, chocantes, enriquecendo a narrativa. E o trabalho de pesquisa do autor para escrever os seus livros é bem notório. Aprendo sempre imenso quando o leio. Um livro muito bom, com uma história bem urdida, e uma aula de arte fantástica.»

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