Na Feira — Um olhar sobre o passado com vista para o futuro.

No passado dia 10 de junho estive na Feira do Livro de Lisboa para a minha única sessão de autógrafos na edição deste ano. Ainda me lembro de quando marquei presença com os meus primeiros livros. Estava, sobretudo, contente. Confesso que só fui à Feira do Livro de Lisboa pela primeira vez já como autor, em 2013, e nunca quando apenas era um leitor. Este facto curioso tem duas explicações. Em primeiro lugar, embora viva perto de Lisboa, não moro na cidade. Em segundo, e acima de tudo, normalmente compro os meus livros ao longo do ano e é raro andar à procura de algum em especial.

Mas sempre respeitei imenso este evento e quando em 2013 fui convidado pela primeira vez a lá ir, fiquei mesmo muito contente. Era um dos objetivos que estabelecera para o meu primeiro livro – estar com ele na Feira do Livro de Lisboa.

Seis anos depois sou um escritor bastante diferente. Não só amadureci mais (fiz recentemente 41 anos), como ganhei bastante experiência, ou, se me permitem que seja mais pragmático, perdi as ilusões.

Ir à Feira do Livro de Lisboa é duro. As sessões de autógrafos que lá tenho feito nunca foram um fiasco; houve sempre alguém que acabou por comprar os livros e pedir a assinatura da praxe. Mas a exposição é enorme e é difícil estar ali, muitas vezes ao sol, como chegou a acontecer-me, à espera que alguém nos salve da humilhação de não conseguir que se venda nem um livro. Não tem sido o meu caso, mas é por causa disso que muitos escritores portugueses fazem tão poucas ou nenhumas sessões de autógrafos.

Pelo menos para mim, esta segunda-feira foi muito positiva. A minha sessão começou de forma algo improvisada, pois a anterior ainda estava em curso, mas como não quis deixar as pessoas à espera, os primeiros livros foram assinados de pé. No entanto, rapidamente nos organizámos melhor e a sensação que ficou foi realmente boa.

Estou a escrever esta entrada por dois motivos. Por um lado, gostaria de agradecer a presença de todas as pessoas que estiveram comigo e com a Cultura Editora na Feira do Livro de 2019. Revi leitores amigos e conheci novos, que fiquei a saber já serem antigos. Obrigado.

Por outro lado, gostaria de deixar aqui um breve esclarecimento, que nada é mais do que isso. Não irei entrar em modas e fazer uma desintoxicação, como se diz atualmente, mas irei abrandar significativamente a minha presença online nos próximos meses. Não se passa nada. Apenas sinto que esse é o caminho.

Revemo-nos em breve.

No pavilhão da Cultura Editora na Feira do Livro de Lisboa 2019.

10 Comentários

  • Raquel Silva Publicado 16 de Junho de 2019 20:41

    Foi um prazer conhecê-lo pessoalmente 🙂 Às vezes é preciso parar um pouco. Até breve!!

    • Nuno Nepomuceno Publicado 25 de Junho de 2019 23:56

      Olá, Raquel.

      Muito obrigado. Sim, concordo consigo. Esta pausa foi planeada e acho que me trará coisas boas. Até breve. 😉 Beijinhos.

  • Manuel Álvaro Martins Publicado 16 de Junho de 2019 20:54

    Parabéns. As obras já publicadas, vão impedir o esquecimento pela sua ausência.
    Abraço

    • Nuno Nepomuceno Publicado 25 de Junho de 2019 23:55

      Olá, Manuel.

      Obrigado. Estou apenas a fazer uma pausa das redes sociais e afins. Provocam algum desgaste, mas conto regressar «em forma». 😉 Um abraço.

  • Luis Malveiro Publicado 20 de Junho de 2019 14:24

    “A felicidade é um estado de alma, com vida curta”
    Tem três grandes momentos: o desejo, a dificuldade em alcança-lo e o deslumbramento, que é tanto mais forte quanto maior for a grandeza da dificuldade.”

    • Nuno Nepomuceno Publicado 25 de Junho de 2019 23:54

      Olá, Luís.

      Muito obrigado pelas suas palavras. Um forte abraço.

  • José Santos Publicado 20 de Junho de 2019 14:27

    Sim, é bastante duro toda a exposição. As Feiras do Livro se correm bem são boas mas se não correm podem deitar-nos abaixo. Eu fiz uma FL quando lancei o meu livro, pela apresentação, mas depois, por não haver novidades, não quis fazer mais nenhuma.
    Acho que o recuar e o reaparecer devem existir.
    Tudo faz parte.
    Boa sorte!!

    • Nuno Nepomuceno Publicado 25 de Junho de 2019 23:53

      Olá, José.

      Muito obrigado. Acho que faz parte de tudo e com o passar do tempo vamo-nos habituando. Eu, na realidade, não sou quem se deve queixar mais. Os últimos dois anos foram extraordinariamente positivos. Um abraço.

  • Cláudia Publicado 20 de Junho de 2019 15:41

    Tive muita pena de não ter estado presente mas quero que saiba que estou a ler a Última Ceia e estou a adorar. Gosto muito da sua escrita. É rica, mas de fácil leitura. Por isso os meus parabéns.

    • Nuno Nepomuceno Publicado 25 de Junho de 2019 23:52

      Olá, Cláudia.

      Obrigado pelo comentário. Não tem importância. Vou só fazer um pequeno intervalo, mas prometo que regressarei. Teremos outras oportunidades. 😉 Bom resto de leitura. Beijinhos.

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