«Uma obra de arte em constante restauro»

Opinião A Última Ceia retirada de Efeito dos Livros. Por Cris Rodrigues.

«Uma obra de arte icónica, um roubo que supera interesses monetários e uma história de amor fugaz repintam esta Última Ceia num tom enigmático e conferem-lhe um acabamento de thrillersofisticado. As descrições bem conseguidas e uma escrita que cativa pelo ritmo que impõe, conduzem os leitor numa viagem por ruas, galerias e obras de arte, como se ele viajasse por Itália.

E o leitor escolherá: ou vive intensamente a paixão recente entre Giancarlo Baresi e Sofia Conti, especulando as intenções de cada um, ou se preocupa em desvendar a motivação por trás do roubo de tal peça gigantesca e de valor incalculável. Independentemente da escolha, o leitor é sempre acompanhado por bons momentos literários, navegando ao longo de diversos períodos da História, tal como acontece nos últimos dois livros de Nuno Nepomuceno: A Célula Adormecidae Pecados Santos.

Em A Última Ceiaa religião também continua a estar presente, mas desta feita há um salto. Cruza-se com a arte, tornando os crimes mais passionais, conferindo um tom airoso para falar do Cristianismo. Outro detalhe sempre bem conseguido é a forma como o autor aprofunda a vida dos personagens, que se repetem e vêm pintalgando as três narrativas. Vemo-los surgir em cada um dos livros sempre com mais detalhes, como se cada um deles fosse um quadro em constante restauro. É assim no caso de Afonso e de Diana, permitindo ao leitor acompanhar  aquela história e os fantasmas que ficaram adormecidos. Quem não leu os livros anteriores, vai querer fazê-lo, para entender determinadas ações dos personagens.

Outro pormenor que tem marcado estas leituras são os relatos dos crimes ou das cenas de violência. É interessante ver como um autor evolui e com muito menos descrições consegue transmitir violência, pavor, angústia e medo, sem perder humor ou a capacidade der permitir ao leitor várias sensações numa só passagem.»

Cris Rodrigues

Efeito dos Livros

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