Cinco curiosidades sobre A Morte do Papa que (quase) ninguém referiu.

Praticamente dois meses depois da edição de A Morte do Papa, muito aconteceu. Estou satisfeito com o acolhimento que o livro teve, sobretudo, tendo em conta todas as dificuldades pelas quais passei durante o período em que o escrevi. À semelhança dos tempos que vivemos hoje, em que o mundo que conhecíamos parece estar a mudar rapidamente, é caso para dizer que a esperança prevaleceu.

De qualquer modo, deixo aqui cinco curiosidades que quase ninguém referiu sobre o livro, ou, pelo menos, a mim. Espero que as tenham descoberto todas.

#1 – A sexualidade

Não diria que A Morte do Papa é um livro sobre sexo, embora admita que essa é a motivação de algumas das personagens e o móbil por trás de alguns dos acontecimentos mais catalisadores do livro. No entanto, apesar do sexo e da sexualidade das personagens (nas suas diversas formas, numas vezes de forma evidente, noutras, disfarçada) estar presente o no livro, A Morte do Papa não contém qualquer referência explícita a um ato sexual.

#2 – A troca de correspondência

Foi algo de novo que trouxe para este livro. Gostaria de pensar que é um sintoma de maturidade e a expressão de um desejo de variar. Independentemente disso, parte do enredo de A Morte do Papa assenta na troca de e-mails ou mensagens eletrónicas entre as personagens. O intuito foi não só permitir que o leitor se situasse na história, arrumando ideias, como ainda dar um ar mais clássico ao livro. Os e-mails são as novas cartas. Ou serão as SMS?

#3 – A discreta personagem central

O cardeal Horace Tremblay é a personagem do livro que mais gozo me deu trabalhar. Considero mesmo que, provavelmente, será uma das melhores personagens que criei. Tudo nele parece ser obscuro, desde a forma cínica de pensar, à sexualidade dúbia e reprimida, ao caráter discreto (quase invisível) e até à humanidade inesperada que revela nos capítulos finais. O camerlengo da Santa Sé acaba por estar presente em todos os capítulos mais importantes do livro, sendo essencial para que todos saibamos, afinal, o que aconteceu na noite em que o Papa morreu. E, na minha opinião, o fim trágico que sofre só torna a sua história ainda melhor.

#4 – A semelhança com o caso Rui Pinto

Pedro e Rui Pinto são fisicamente muito diferentes, mas quem ler o livro irá encontrar alguns pontos de contacto com o caso do delator português. Aqui, o desafio foi algo diferente, isto é, não deixar que este caso extremamente mediatizado tomasse conta do livro, mas contribuísse para o enredo.

#5 – O cameo oculto

Quem leu todos os meus livros já deve ter percebido que eu gosto de fazer uma brincadeira ou outra algures durante a narrativa. Por exemplo, em A Última Ceia, coloquei uma personagem a ler Pecados Santos num aeroporto, ou, em A Célula Adormecida, André Marques-Smith, a personagem principal da trilogia Freelancer surge momentaneamente, embora não seja referido pelo nome, mas sim por intermédio da descrição física.

Ora, em A Morte do Papa, foi a minha vez. Referi o assunto durante a apresentação que fiz em Faro, na altura em jeito de desafio, mas, agora revelo a verdade. Eu e Anna McCarthy, a fotógrafa que andou comigo pelas ruas de Londres durante a pré-promoção de A Última Ceia fomos apanhados em A Morte do Papa em flagrante delito durante essa mesma sessão fotográfica. Está tudo no terceiro parágrafo da página 208. Descubram-nos!

Nota adicional

Esta entrada marca ainda o fim de um ciclo, ou, se preferirmos, o início de um novo. A última semana trouxe-nos muita incerteza. Apesar de a reedição de A Célula Adormecida estar em andamento e continuar prevista para o fim de maio, a partir de agora tudo terá de ser encarado com alguma reserva. Há serviços a fechar e pessoas forçadas a ficar em casa por diversos motivos.

De qualquer modo, comecei a trabalhar num novo original e, portanto, como tem sido habitual, a minha presença online irá começar a abrandar.

Aproveito também o momento para esclarecer que sugeri brevemente à editora que fizéssemos algumas alterações na promoção de livros vindouros. Quer em termos profissionais, como pessoais, tenho sido sujeito a provações bastante difíceis de ultrapassar e gostaria de poder aproveitar um pouco mais o que tenho construído para mim exclusivamente apoiado no meu esforço e trabalho.

Adicionar Comentário

O seu email não vai ser publicado. Os campos necessários estão marcados com *