Entrevista a O Informador. «Receio que os leitores se cansem de mim.»

Destaques da entrevista concedida a O Informador.

Por Ricardo Trindade.

 

Neste momento mais virado para o lançamento do teu mais recente thriller, O Cardeal, o quinto volume da série Afonso Catalão, fala-me um pouco sobre esta obra?

De uma forma muito simples, O Cardeal é uma história de crimes, que acontecem entre a pacata cidade universitária de Cambridge e a Cidade do Vaticano. Centra-se na família Emanuel, que os leitores da série já conhecem de A Morte do Papa e aborda vários temas, entre os quais a forma como a sociedade contemporânea se centra demasiado na imagem e nas aparências. Sobretudo, na forma como estas podem iludir.

A série Afonso Catalão, após cinco volumes tem ainda pernas para andar por mais uns anos seguindo e fazendo o agrado dos leitores que têm apoiado estas personagens e narrativas?

Espero que sim! É natural que tanto  a série, como eu, comecemos a acusar algum desgaste, mas há registo de várias sagas literárias com uma longevidade maior, que continuam a ter sucesso. Não sei se irei querer prolongá-la muito mais. Receio que os leitores se cansem de mim, além de que a continuidade da série poderá ser redutora da minha carreira, impedindo-me de escrever novos livros com outras personagens ou noutros registos. Mas, pelo menos, durante mais um livro, Afonso Catalão estará de volta.

Ao longo da escrita deixas que as personagens cresçam por si ou acabem por perder espaço consoante as ideias que vão surgindo e sendo alteradas com o desenrolar da ação ou tens um processo criativo rígido do início ao fim com o principio, meio e fim bem definidos sem possíveis oscilações?

Depende da personagem e do papel que lhe destino na história. Os protagonistas, como são o caso de Afonso Catalão, Adam e Lizzie Emanuel em O Cardeal, normalmente não conseguem fazer de mim o que querem. Relativamente a outras personagens, por vezes, o caso muda de figura. Um exemplo: o camerlengo Horace Tremblay de A Morte do Papa. É introduzido no livro como uma figura secundária e gradualmente  ganha espaço, terminando-o como o elemento mais importante para toda a intriga. Isto não foi planeado; somente algo que aconteceu assim. Não consigo explicar porquê. Considero tratar-se de uma questão de sensibilidade. Simplesmente sentimos que temos de deixar a personagem crescer.

Focado muito na religião, a série Afonso Catalão tem conquistado os tops nacionais. Sempre foi este o caminho que quiseste seguir dentro da literatura ou percebeste que é na espionagem religiosa que os leitores mais te acarinham?

A ideia que originou A Célula Adormecida não se focava tanto na religião muçulmana como acabou por acontecer. O tema principal do livro deveriam ter sido as tensões sociais. No entanto, no decurso da pesquisa, acabei por começar a desenvolver um interesse sobre religião em geral, que se repercutiu no enredo e livros subsequentes. Portanto, o foco religioso acabou por ser quase acidental. No entanto, dado o passado de Afonso Catalão, neste momento é algo que faz parte da série. É difícil evitá-lo, porque é algo que o define como pessoa.

No futuro o que podemos esperar nas criações de Nuno Nepomuceno?

Para já, mais um volume da série Afonso Catalão, que espero ter pronto no início de 2022. Pelo caminho, eu e a Cultura Editora ainda iremos reeditar a trilogia Freelancer e produzir mais uma temporada da série de ficção em podcast O Assassino. Depois de 2022, planeio uma pausa na minha carreira por tempo indeterminado, mas com a intenção de regressar.

A entrevista pode ser consultada na íntegra no site de O Informador.

2 Comentários

  • Pedro Almeida Publicado 11 de Janeiro de 2021 15:07

    Nuno, Parabéns pelo sucesso.
    Venham lá mais “Afonsos Catalão”, e anseio pela reedição da trilogia Freelancer.
    Felicidades.

    • Nuno Nepomuceno Publicado 11 de Janeiro de 2021 22:18

      Muito obrigado, Pedro.
      Um abraço.

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