Entrevista Liliana Raquel. «A maior importância de O Espião Português é o significado pessoal que encerra.»

Dei uma nova entrevista sobre O Cardeal e a minha carreira, desta vez ao blogue A Liliana Raquel. Aqui ficam alguns dos destaques. O artigo completo, bem como as opiniões da sua autora acerca dos meus livros, pode ser encontrado AQUI.

 

Ganhou O Prémio Literário Note! 2012, com o livro O Espião Português. De que modo esse episódio influenciou a sua vida?

Não considero que O Espião Português tenha lançado a minha carreira, apesar de ser uma referência pela qual muitos ainda me conhecem. O livro foi  bem-sucedido comercialmente, sobretudo tendo em conta que se tratava de uma primeira obra, mas senti imensas dificuldades em encontrar um editor para o volume da trilogia Freelancerque se seguiu, A Espia do Oriente. Contudo, no fim de ter toda a série publicada, aí, sim, comecei a perceber que as portas se começavam a abrir.

Considero que a maior importância do livro é o significado pessoal que encerra. O Espião Português começou a ser escrito em 2003, só foi editado em 2012, reeditado em 2015, e agora, em 2021, 18 anos depois, será novamente reeditado, desta feita pela Cultura Editora. Para um livro que foi recusado por todas as editoras nacionais, incluindo a que a originalmente acabou por publicá-lo, a sua longevidade é impressionante.

 

Acha que hoje tem uma maior pressão para manter as expectativas que os leitores têm em si?

Sim, as pessoas não fazem por mal, mas acabam por involuntariamente exercer pressão quando me perguntam quando será publicado um próximo livro, ou fazem uma comparação entre diversos volumes da série, dizendo que um é melhor do que outro.

Tento sempre não pensar muito nisso e progredir ao meu ritmo, escrever as minhas histórias. Considero que neste momento a fasquia foi colocada numa altura muito elevada e haverá sempre alguém que irá sentir-se desiludido com o livro, ou desapontado comigo, mas a realidade é que depois de ter publicado vários livros de sucesso, a base de comparação será sempre injusta, porque irá sempre existir um título que não irá conseguir replicar a popularidade do anterior. Farei no próximo ano dez anos de carreira e isto é algo com o qual tenho aprendido a lidar.

 

Quão importante é a opinião do leitor para si?

É importante, mas não decisiva. Respeito o que as pessoas sentem e me fazem chegar acerca dos meus livros, mas tento não me guiar por essas opiniões, porque muitas vezes são contraditórias. Estamos a falar de gostos pessoais e aquilo que uns leitores apreciam, outros detestam.

Quais os conselhos que gostaria de ter ouvido quando estava a iniciar a sua carreira de escritor?

É difícil dizer a alguém o que fazer, ou como encarar uma determinada situação. Não sabemos tudo e por vezes, aquilo que funciona connosco, poderá não resultar com outrem. Julgo que aquilo do qual me arrependo mais foi ter permitido que a primeira edição de O Espião Português ficasse totalmente nas mãos da editora que originalmente publicou o livro. Não intervim na capa, edição e revisão, havendo coisas nessa tiragem nas quais não me revejo. Portanto, julgo que o melhor conselho que me poderiam ter dado seria para me defender e àquilo no qual acredito. Mas isso será transversal a qualquer um de nós e não só aos escritores.

 

Por fim, o que nos pode contar sobre os seus projetos futuros?

Para já, ainda estou a acabar o meu trabalho na nova edição de O Espião Português, que será ainda este ano publicado pela Cultura Editora. Esta reedição apresentará diversos capítulos inéditos, personagens novas e um final diferente. O confinamento veio trazer alguma incerteza, não nos permitindo neste momento traçar um plano ou falar em datas, mas espero que o livro esteja disponível até ao verão.

Quando terminar, irei voltar a dedicar-me ao sucessor de O Cardeal, o sexto volume da série Afonso Catalão, cuja previsão se mantém para o início de 2022. Antes disso, no outono, espero apresentar a segunda temporada da série de ficção em formato podcast, O Assassino. Em 2022, planeio ainda publicar a reedição de A Espia do Oriente e A Hora Solene, respetivamente o segundo e terceiro tomos da trilogia Freelancer. Este ano será particularmente especial, uma vez que marcará o meu décimo aniversário de carreira, o qual gostaria de assinalar com algumas surpresas e comemorações especiais.

 

 

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