Entrevista Encruzilhadas Literárias: «Escrever é um ato de solidão».

Alguns destaques da entrevista concedida ao blogue Encruzilhadas Literárias. O artigo completo pode ser lido aqui.

Por Cláudia Pacheco.

O teu primeiro livro data de 2012. Diz-me quatro coisas que tenhas aprendido sobre o mundo editorial, que te eram desconhecidas ou mais te surpreenderam nestes últimos anos.

Diria que o que mais me surpreendeu foi a perceção da quantidade enorme de pessoas que tenta entrar no mercado. São muitos aqueles que hoje em dia desejam escrever; contudo, frequentemente, querem apenas publicar um livro, algo que não esperava. Depois, com a maturidade que vamos ganhando, há muitos pormenores que passamos a conhecer melhor, como o processo de produção e distribuição, como funcionam as livrarias, ou a promoção das obras.

 

Este ano de pandemia tem sido um desafio para todos. No entanto, sei de casos em que o isolamento serviu de mote para arregaçar as mangas e iniciar um projeto há muito escondido. Como têm sido estes últimos meses para ti?

Tenho outra carreira, que continua ativa, a qual desenvolvo a partir de um escritório, onde estou sozinho. Passei por alguns períodos de teletrabalho, mas de um modo geral, a minha vida profissional não sofreu alterações. Continuo a ter um emprego diário e a escrever no tempo que sobra. Em termos pessoais, tenho tentado cumprir as regras, se bem que para mim o isolamento não seja um problema. Escrevo profissionalmente há quase uma década, o que é um ato de solidão. Por outro lado, sou bastante reservado e estou habituado a conviver comigo e depender só de mim.

 

Vamos ao momento bola de cristal: Se pudesses adivinhar, quem será o público-leitor mais comum para os teus livros? Achas que se tem mantido fiel, ou mudado de perfil com os anos?

Inicialmente, quando escrevi o meu primeiro livro, pensava que seriam os homens, por se ter tratado de um policial. Atualmente, tenho outra perceção. Não creio num público-alvo; julgo que os meus livros são escritos para todas os géneros e idades a partir da adolescência. Todavia, penso que a maior parte dos meus leitores são mulheres entre os 30 e os 60 anos, também porque essa é a maior franja da população portuguesa que lê.

 

Esta é uma pergunta que já te terão feito muitas vezes: porquê sempre a temática religiosa, qual o apelo?

A religião continua a estar no centro da maioria dos confrontos militares e políticos em curso, sendo frequentemente o móbil para muitas das discussões mundiais. Aquilo no qual acreditamos não tem, várias vezes, uma explicação, levando-nos a atos desesperados. Por isso, quando comecei a criar a série Afonso Catalão, achei que seria uma boa oportunidade para abordar algumas questões fraturantes da sociedade atual, como são os casos da xenofobia e do racismo. Nenhum dos meus livros é sobre religião. A religião, enquanto algo que define algumas personagens, é que faz parte do livro.

 

Ainda sobre opiniões, costumam diferir muito entre “leitores comuns” e críticos literários? Diz-me uma coisa que tenhas lido sobre um dos teus livros que te tenha surpreendido.

As comparações com outros escritores. Não considero que existam assim tantas semelhanças entre os meus livros e os do Dan Brown, ou do Daniel Silva.

 

O que é que já aprendeste sobre um livro teu, que nunca te tivesses apercebido, até alguém escrever sobre isso?

Não querendo parecer presunçoso, nada. Sou e serei sempre o melhor conhecedor da minha obra, uma vez que todo o trabalho que é desenvolvido até ao início da revisão é feito exclusivamente por mim.

 

Escrevendo sempre sobre temáticas parecidas, torna difícil a inovação. Há uma certa segurança por parte do leitor, que já sabe ao que vai. O que é procuras incutir a cada livro novo, para gerar sempre uma certa descoberta e novidade a quem o lê?

Não concordo. Há semelhanças entre os meus livros, porque são escritos por mim, mas a parecença não vai mais longe. Por exemplo, A Célula Adormecida é sobre um ataque terrorista, Pecados Santos sobre um assassino em série, A Última Ceia sobre um o roubo de um quadro, A Morte do Papa sobre o desaparecimento de uma adolescente e O Cardeal sobre o homicídio de uma idosa, além da trilogia Freelancer, três livros de espionagem internacional. Não sou um escritor de fórmulas, de aplicar a um livro uma estrutura narrativa e achar que os leitores vão adorar, só porque o meu thriller mais recente é uma cópia do anterior.

Esta é uma solução que aparentemente o público aprecia, mas que não me satisfaz. Tento sempre criar novas personagens, explorar diferentes temáticas, ensaiar narrativas diversas, ou adicionar elementos novos. É o caso do sobrenatural, em O Cardeal.

O artigo completo pode ser lido aqui.

 

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