Entrevista ao Wookacontece, por Vera Dantas.
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Nuno Nepomuceno, autor da trilogia Freelancer, da série Afonso Catalão, de duas séries em formato podcast, além de vários contos, tornou-se um escritor bestseller nacional com os seus policiais cheios de ritmo e mistério, e personagens com carácter.
Com o seu novo livro, O Mosteiro – O Rei Improvável, o autor faz, pela primeira vez, uma incursão no romance histórico, numa obra que mergulha no Portugal do século XV e que inaugura uma nova série, revelando uma faceta diferente do seu talento narrativo.
O livro nasce de anos de pesquisa, paixão pela História e vontade de desafiar fronteiras criativas. Nesta entrevista, exploramos a génese desta mudança, o processo de construção do romance e o que o autor descobriu ao revisitar uma época tão densa quanto fascinante.
Como surgiu a ideia para O Mosteiro – O Rei Improvável?
Nasceu do meu gosto por ler e, consequentemente, do desejo de escrever. Quando comecei a escrever, enveredei pelos thrillers, porque se tratava de um dos meus géneros literários preferidos. Outro, era o romance histórico. No entanto, dada a sua complexidade, foi um passo que adiei constantemente, até 2022, ano em que encerrei a série Afonso Catalão, surgindo, por isso, a oportunidade de experimentar algo novo.
O que o levou a escrever um romance histórico, numa mudança de género face à sua obra centrada nos thrillers?
Trata-se de uma incursão e não uma mudança definitiva de género literário, motivada pelos meus gostos pessoais e por razões relacionadas com a gestão da minha carreira. Publico regularmente desde 2012 e considerei que era altura de apresentar um livro drasticamente diferente dos anteriores.
O que mais o surpreendeu durante a pesquisa para este livro?
A complexidade e densidade do período histórico em causa. A conjura política e social da época é enorme.
O QUE MAIS ME SURPREENDEU NA PESQUISA PARA ESTE LIVRO FOI «A COMPLEXIDADE E DENSIDADE DO PERÍODO HISTÓRICO EM CAUSA. A CONJURA POLÍTICA E SOCIAL DA ÉPOCA É ENORME.»
Depois de escrever o livro, que significado atribui ao Mosteiro dos Jerónimos?
Creio que se trata essencialmente de uma obra de fé e de paixão, mas isso é algo que se tornará mais claro nos volumes subsequentes da série.
Como conseguiu “entrar” numa época tão distante da atualidade e dar vida a personagens de então de forma credível e relacionável com os leitores contemporâneos?
Tive de pesquisar bastante. Passei quase dois anos a ler e tomar notas, tendo trabalhado com mais de 20 livros, incluindo biografias de figuras históricas e compêndios sobre História de Portugal. Este método de trabalho já era a base do meu processo criativo e acabou por ser fundamental para escrever O Rei Improvável, o que depois demorou um ano inteiro.
Qual é a sua personagem preferida de O Mosteiro, e porquê?
A princesa Leonor de Viseu e Beja, que depois se torna rainha consorte de Dom João II. É uma personagem que evolui, muito por culpa das ações do marido, enfrentando com grande integridade toda a conjuntura que envolveu os primeiros anos do reinado do Príncipe Perfeito.
Qual foi o livro que mais gostou de escrever?
A Última Ceia, o 3º volume da série Afonso Catalão. Trata-se de um livro onde experimentei formas narrativas diferentes dos meus livros anteriores e onde trabalhei mais o lado emocional das personagens, sendo, por isso, um motivo de orgulho pessoal.
Qual é a pior parte de ser escritor? E a melhor
Diria que o desconhecido é a pior parte. Nunca sabemos o que irá acontecer depois de o livro ser editado, porque não controlamos a apreciação dos leitores e, como tal, o percurso que fará subsequentemente. A melhor parte é a liberdade criativa. Gosto de brincar com o imaginário das pessoas.
Se pudesse partilhar um jantar com qualquer autor ou figura histórica (viva ou morta), quem escolheria?
João de Castilho, o 2º mestre de obras do Mosteiro dos Jerónimos. A informação que existe sobre a sua vida é escassa e aproveitaria o jantar para esclarecer algumas dúvidas.
Consegue nomear 3 autores que o inspiram?
Ken Follet, Daniel Silva e Isabel Machado.
Wook gostaria de ter lido e ainda não leu?
Dom Pedro V – O Bem-Amado, de Isabel Machado.
O Mosteiro é o primeiro volume de uma série. O que pode adiantar-nos sobre o a continuação desta história?
O primeiro volume foca-se essencialmente nos antecedentes políticos e sociais que levaram à subida ao trono do rei que mandou edificar o Mosteiro dos Jerónimos, enquanto os próximos irão centrar-se nos anos da construção, em paralelo com o drama pessoal das personagens mais importantes da época e que estiveram relacionadas com a mesma.